O mercado brasileiro de bebidas alcoólicas tem passado por transformações estratégicas para atender a novos perfis de consumidores. Eduardo Ambrosio, vice-presidente para a América do Sul, América Central e Caribe da Brown-Forman — empresa responsável pela fabricação do Jack Daniel’s —, destaca que a companhia tem apostado em inovações de portfólio para manter o crescimento no país, considerado o terceiro maior mercado global da marca e o sétimo para a corporação.
Enquanto setores como o de cervejas e vinhos buscam alternativas com teor alcoólico reduzido para atrair a Geração Z, a indústria do uísque enfrenta restrições regulatórias, já que a bebida precisa manter graduação alcoólica entre 38% e 54%. Para contornar essa limitação sem perder o apelo junto aos jovens e ao público que consome de forma mais moderada, a estratégia adotada foi a introdução de opções saborizadas, como o recém-lançado Jack Daniel’s Blackberry, que mistura o tradicional Old No. 7 a licor de amora.
De acordo com o executivo, o Brasil funciona como um importante laboratório para testar novidades na América Latina. O país destaca-se como o terceiro maior mercado mundial para uísques com sabores, uma tentativa bem-sucedida de tornar a bebida mais suave, palatável e propensa a misturas em coquetéis. Além disso, a marca tem observado um avanço expressivo na preferência entre as consumidoras mulheres e uma expansão de vendas em ritmo acelerado na região Nordeste.
Apesar das inovações voltadas para a modernidade e para o apelo da mixabilidade, a multinacional preserva os pilares de sua história centenária. Fundada em 1866 por Jasper Newton Daniel em Lynchburg, no Tennessee, a destilaria mantém rituais tradicionais, como o formato quadrado da garrafa criado no final do século XIX para evitar quedas e a forte presença cultural que sustenta a autenticidade exigida pelas novas gerações.
No cenário financeiro, a corporação registrou vendas globais de US$ 3,9 bilhões no último ano, mantendo estabilidade financeira impulsionada pelo forte desempenho em mercados emergentes como Brasil, Turquia e Emirados Árabes, que compensaram quedas registradas nos Estados Unidos. A atuação comercial também equilibra os canais digitais com a experiência física, uma vez que grande parte dos consumidores ainda busca o contato visual direto com a garrafa antes da decisão de compra.
Dessa forma, a gestão da marca no território nacional equilibra o respeito à tradição secular com a necessidade constante de adaptação. A convivência entre métodos artesanais antigos e novos perfis de consumo consolida o posicionamento da empresa no competitivo setor de bebidas premium no país.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
