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João Vitor encontra em cemitério cenário para adaptar Edgar Allan Poe

Estudante de Audiovisual da UFMS visita o Cemitério Santo Antônio em busca de locações para curta-metragem inspirado em Edgar Allan Poe e descobre a história e a diversidade da capital.

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João Vitor encontra em cemitério cenário para adaptar Edgar Allan Poe

O universitário João Vitor Mendes Moraes, de 24 anos, encontrou no Cemitério Santo Antônio, em Campo Grande, inspiração e possíveis locações para adaptar o conto “O Enterro Prematuro”, de Edgar Allan Poe. Aluno do curso de Audiovisual da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o jovem participou de um passeio fúnebre durante a programação da Semana dos Museus e acabou descobrindo um panorama surpreendente sobre a história da própria cidade.

A ideia inicial de integrar um roteiro de visitação em um cemitério gerou estranheza entre amigos e familiares. No entanto, a experiência no espaço — considerado o mais antigo da capital sul-mato-grossense, com 112 anos — revelou-se confortável, divertida e edificante para o estudante, que buscava cenários adequados para um trabalho interdisciplinar da faculdade.

Durante a visita guiada, João Vitor percebeu que o local funciona como um verdadeiro mapa da formação de Campo Grande. Entre jazigos, esculturas e relatos sobre personalidades sepultadas, chamou atenção a forte presença da colônia japonesa e, de maneira especial, a raiz da comunidade de Okinawa, elementos que muitas vezes acabam esquecidos no cotidiano urbano.

Outro ponto que marcou o universitário foi a diversidade religiosa presente nos túmulos e rituais do cemitério. O passeio destacou o encontro respeitoso entre tradições cristãs, asiáticas e de matriz africana, desconstruindo a imagem de que a capital possui apenas uma identidade religiosa predominante e evidenciando manifestações culturais vivas no espaço.

Além do valor histórico e antropológico, o estudante destacou o bom estado de conservação do cemitério, superando a expectativa de encontrar um ambiente deteriorado. O cuidado com os jazigos e a estética dos adornos sob uma lua cheia reforçaram sua percepção de que o contexto mortuário também pode abrigar beleza e leveza.

Com a experiência, que terminou com cerca de uma hora a mais do que o previsto, João Vitor agora planeja retornar ao Cemitério Santo Antônio para fotografar e avaliar formalmente a viabilidade do local como cenário para o seu curta-metragem, recomendando a vivência incomum a outras pessoas.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano