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Cannabis entra na roda para falar de cuidados e arte na Casa de Cultura

A segunda edição do projeto 'Plantando as Sementes da Mudança' discutiu o uso medicinal da cannabis, o acesso ao tratamento e o preconceito em Campo Grande.

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Cannabis entra na roda para falar de cuidados e arte na Casa de Cultura

A segunda edição do projeto “Plantando as Sementes da Mudança”, realizada na Casa de Cultura, em Campo Grande, reuniu profissionais, pacientes, familiares e artistas para debater o uso medicinal da cannabis, o acesso ao tratamento e o preconceito que ainda cerca a planta. Com o tema “Cultura Canábica, Direitos e Acesso à Cannabis Medicinal”, o encontro buscou dar visibilidade aos obstáculos enfrentados por quem busca alternativas terapêuticas.

A farmacêutica e psicóloga Vanessa Reis, de 47 anos, participou como palestrante e concentrou sua fala no uso racional e seguro do óleo terapêutico. Segundo ela, o tratamento deve partir obrigatoriamente de indicação médica e ser acompanhado por profissionais capacitados. “O papel do farmacêutico é no uso seguro, no uso racional e no seguimento do monitoramento”, explicou, destacando a necessidade de avaliar indicações clínicas e acompanhar a resposta individual de cada paciente.

Além das questões estritamente clínicas, Vanessa abordou o estigma social que ainda influencia a decisão de algumas famílias. De acordo com a profissional, há situações em que mães de crianças com epilepsia e transtorno do espectro autista desejam buscar o tratamento, mas encontram resistência severa dentro do próprio ambiente familiar. Para ela, o preconceito arraigado continua sendo um obstáculo relevante para aprofundar o debate sobre os benefícios medicinais da planta.

Outro problema central apontado durante o encontro foi o custo elevado dos produtos. Vanessa explicou que os itens industrializados ainda possuem preços inacessíveis para muitas famílias de baixa renda, incluindo mães atípicas que procuram alternativas para o cuidado dos filhos. Além disso, as associações que fornecem os extratos também enfrentam dificuldades operacionais relacionadas a financiamento e obtenção de insumos necessários para a produção.

A trajetória pessoal da palestrante também marcou o evento ao trazer um relato sensível sobre os desafios do tratamento. Vanessa compartilhou que uma de suas filhas sofria de crises convulsivas recorrentes e começou a usar o óleo de cannabis por volta dos dois anos de idade. Após o início do acompanhamento, houve reduções expressivas no número de episódios de convulsão, embora a filha tenha falecido posteriormente em decorrência de outros fatores clínicos.

A programação foi além dos debates técnicos sobre saúde e incluiu intervenções culturais e históricas. Um antropólogo chamado Saulo conduziu uma palestra sobre a trajetória da planta, a chegada ao Brasil, a relação com as populações africanas escravizadas e os processos políticos ligados à criminalização. O evento contou ainda com apresentação de DJ, a criação colaborativa de um painel de pintura por duas artistas com o auxílio das crianças presentes, e foi encerrado com uma animada roda de capoeira.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano