Após um intenso fim de semana de manifestações em favor do direito à moradia, que levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas em diversas regiões da Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou nesta segunda-feira (5) a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas no país. O pleito foi oficialmente marcado para o dia 29 de novembro.
A decisão do premiê surge como uma aposta na mobilização popular para tentar superar um Congresso hostil ao seu governo. Na semana passada, o parlamento espanhol derrubou dois decretos fundamentais elaborados pela gestão de Sánchez com foco no setor de habitação, aprofundando o impasse político em meio a uma das crises imobiliárias mais graves da Europa.
A pressão pública atingiu o ápice após o despejo de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos que vivia no mesmo apartamento há sete décadas. Cenas da polícia retirando a mulher de maca correram o mundo e serviram de catalisador para protestos massivos e para a criação de um acampamento na Puerta del Sol, marco zero de Madri, que já conta com mais de 1.200 tendas.
Em seu pronunciamento oficial, Sánchez defendeu a medida afirmando a necessidade de renovar o apoio popular para alcançar uma maioria progressista sólida no parlamento. Segundo o líder socialista, o objetivo é superar os interesses estabelecidos, assegurar novos avanços sociais e dar continuidade às transformações estruturais na Espanha.
Por outro lado, a oposição conservadora celebrou a convocação do pleito. Alberto Núñez Feijóo, principal nome do Partido Popular, classificou o momento como uma oportunidade para fechar um capítulo de declínio e abrir novos caminhos para a prosperidade econômica e institucional do país.
Analistas políticos apontam que a manobra de Sánchez carrega altos riscos. O bloco de esquerda enfrenta desgaste nas pesquisas de opinião pública, impulsionado por escândalos recentes e desafios na gestão migratória. Apesar disso, o premiê aposta que a pauta habitacional e a defesa de políticas de justiça social conseguirão reverter o cenário e manter a Espanha como um bastião progressista na União Europeia.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
