A decisão do governador Ratinho Junior de apostar na candidatura de Sandro Alex para a sua sucessão gerou profundas consequências no cenário político do Paraná. Antes da definição, o chefe do Executivo estadual contava com quatro nomes de peso em sua base no PSD: Guto Silva, Alexandre Curi, Rafael Greca e Beto Preto. No entanto, aconselhado por seu marqueteiro Jorge Gerez, Ratinho optou por lançar Sandro Alex, conhecido como o “homem da infraestrutura”, deixando os demais pretendentes de lado.
As repercussões dessa escolha provocaram forte desidratação no grupo político do governador. O deputado estadual Alexandre Curi foi convencido a concorrer ao Senado, enquanto Rafael Greca trocou o PSD pelo MDB para se tornar vice na chapa de Sandro Alex. Por sua vez, Guto Silva optou por se afastar da política, e Beto Preto buscou a reeleição para a Câmara dos Federais, figurando novamente entre os mais votados da legenda, embora com desempenho inferior ao esperado devido à baixa tração do candidato ao governo.
O revés eleitoral também se refletiu na cidade natal de Sandro Alex, Ponta Grossa, onde o candidato não apenas foi derrotado como viu o seu irmão, Marcelo Rangel, registrar apenas 22 mil votos e terminar como suplente de deputado federal pelo PSD. Em contrapartida, o ex-prefeito Jocelito Canto obteve expressiva votação no município, credenciando-se para a disputa da prefeitura local em 2028. No âmbito estadual, o pleito sacramentou o vigésimo ano consecutivo sem segundo turno para o governo paranaense.
No confronto dos estrategistas de campanha, o marqueteiro paranaense Marcelo Cattani, responsável pela campanha de Sérgio Moro, levou ampla vantagem sobre o argentino Jorge Gerez. Cattani repetiu o sucesso obtido nas eleições municipais de Ponta Grossa em 2024 e consolidou sua força ao desbancar a articulação governista. A vitória de Moro no primeiro turno evidenciou a dificuldade de transferência de votos e impôs uma derrota contundente à máquina pública estadual.
Outras lideranças tradicionais também sofreram reveses expressivos nas urnas. Os ex-governadores Roberto Requião e Beto Richa concorreram a vagas na Câmara dos Deputados, mas não obtiveram êxito em suas empreitadas partidárias. Requião alcançou 79 mil votos, enquanto Beto Richa registrou 58 mil sufrágios pelo PSDB, ficando de fora da próxima legislatura federal e demonstrando o desgaste das velhas oligarquias locais.
Por fim, o reflexo do pleito se fez sentir em municípios do interior, como Apucarana, onde o prefeito Rodolfo Mota viu seu candidato amargar a terceira colocação, ficando atrás de Sérgio Moro e Requião Filho. Diante do esvaziamento político e das perdas expressivas, o grupo governista precisará repensar suas articulações com vistas aos próximos ciclos eleitorais no estado.
Fonte: tnonline.uol.com.br
