O resultado das urnas do primeiro turno da eleição presidencial revelou um claro erro de cálculo por parte da campanha do presidente Lula (PT), que busca a reeleição. A avaliação nos bastidores é de que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) foi subestimado ao longo da disputa e que o peso real do antipetismo não foi devidamente dimensionado pelos estrategistas petistas.
Com a apuração, Flávio Bolsonaro e Lula confirmaram a ida para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro. Durante toda a contagem dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do plano liberal permaneceu à frente, consolidando uma votação expressiva que superou a marca de 56 milhões de votos, enquanto a chapa petista registrou mais de 53,7 milhões.
Em discurso realizado logo após a divulgação dos resultados, o próprio presidente Lula admitiu publicamente que havia expectativa de encerramento da disputa ainda na primeira etapa. “Confesso que estava convencido de que ia ganhar as eleições em primeiro turno”, afirmou o candidato à reeleição perante seus apoiadores.
Desde o lançamento da candidatura de Flávio, aliados de Lula avaliavam que o senador seria um oponente menos complexo de enfrentar em comparação a outros nomes ventilados pela direita, como o governador Tarcísio de Freitas. Por conta desse diagnóstico, a diretriz inicial foi evitar ataques diretos a Flávio, sob a premissa de que ele possuía vulnerabilidades políticas que desgastariam sua imagem ao longo dos meses.
A estratégia revelou-se falha. A campanha do candidato do PL soube identificar e capitalizar um sentimento latente no eleitorado: o antipetismo. A mensagem central da oposição posicionou Flávio essencialmente como a principal alternativa anti-Lula, desmistificando a ideia de que seu nome perderia força com o passar do tempo.
Outro ponto nevrálgico foi a leitura equivocada de que o embate se dava estritamente contra a figura de Flávio, quando, na prática, a disputa travada nas urnas trazia o peso político de Jair Bolsonaro. Diferente do que os petistas previam, abraçar o sobrenome e o espólio político da família foi fundamental para a consolidação da candidatura oposicionista.
Fonte: g1.globo.com
