O setor de infraestrutura acompanha o segundo turno da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com os olhos voltados para os juros altos e para a disponibilidade de recursos no Orçamento público para alavancar novas obras. Representantes corporativos e especialistas ouvidos pela imprensa apontam que o modelo de concessões está consolidado e deve prosseguir independentemente de quem assuma a Presidência da República.
Apesar da perspectiva de continuidade institucional, analistas alertam que a expansão dos investimentos exige um financiamento mais barato, uma injeção robusta de capital público e soluções rápidas para os conflitos contratuais acumulados. Segundo Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, os investimentos previstos para o ano devem alcançar R$ 300 bilhões, com ampla predominância do setor privado.
Para Glanzmann, a agenda de infraestrutura ultrapassou a esfera de governo e transformou-se em uma política de Estado. Contudo, ele pondera que o custo elevado do crédito dificulta o financiamento de projetos de longo prazo, cenário corroborado por especialistas que enfatizam a necessidade de rigor fiscal para viabilizar a redução da taxa básica de juros, a Selic.
Especialistas da área indicam que apenas o capital privado não será suficiente para sustentar a nova onda de concessões pretendida. Com o investimento atual estacionado entre 2% e 2,2% do PIB, o setor defende uma atuação conjunta entre recursos públicos e privados para que o patamar de investimentos chegue à faixa de 4% a 4,5% do Produto Interno Bruto.
O consultor Mauricio Portugal reforça que o escopo principal de parcerias público-privadas e concessões não deve sofrer interrupções abruptas, mantendo uma perenidade observada ao longo de gestões anteriores. Por outro lado, as privatizações tradicionais continuam sendo o principal divisor de águas entre as diretrizes políticas dos candidatos do segundo turno.
No campo socioambiental e de governança, analistas apontam diferenças na condução dos financiamentos climáticos e na participação social. Enquanto o governo atual tende a consolidar instrumentos participativos, uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro pode priorizar o fortalecimento de mecanismos de mercado associados a possíveis revisões em órgãos de proteção e licenciamento.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
