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Educação: eixo estruturante da transição digital em saúde

A transição digital na saúde exige superar modelos educacionais tradicionais e integrar competências tecnológicas e informacionais aos currículos das profissões.

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Educação: eixo estruturante da transição digital em saúde

A transformação digital em saúde tem sido amplamente reconhecida por organismos internacionais e governos, mas ainda persiste um descompasso entre diretrizes estratégicas, currículos acadêmicos e a educação da população. Em muitas instituições de ensino, a formação segue modelos tradicionais, nos quais temas como qualidade de dados, inteligência artificial e informação em saúde aparecem de forma fragmentada ou restrita a situações práticas isoladas, sem uma devida integração curricular.

Esse cenário ganha complexidade porque a transição digital não ocorre de forma homogênea, dividindo-se em ondas tecnológicas e informacionais distintas. A primeira onda, marcada pelo uso de papel e comunicação presencial, exige o fortalecimento da escuta ativa e da organização documental. Na segunda onda, com a digitalização dos serviços, profissionais e pacientes passam a lidar com prontuários eletrônicos e aplicativos, demandando novas habilidades para manter a qualidade do atendimento humano em meio às telas.

A terceira onda introduz a interoperabilidade e o compartilhamento de dados entre instituições, exigindo compreensão sobre governança, privacidade e segurança da informação. Já a quarta onda incorpora a inteligência de dados e a inteligência artificial, exigindo pensamento crítico para interpretar modelos preditivos, supervisionar sistemas automatizados e tomar decisões éticas. Como essas diferentes ondas frequentemente coexistem no cotidiano dos serviços, os profissionais e os cidadãos precisam compreender o contexto tecnológico de cada instituição.

Essa lacuna na formação gera frustração e estranhamento em profissionais que transitam por serviços com diferentes níveis de maturidade digital, muitas vezes interpretando divergências estruturais como falhas organizacionais. O mesmo ocorre com pacientes e familiares, que encontram discrepâncias no acesso a prontuários eletrônicos, teleconsultas ou exames online entre diferentes unidades de saúde, o que reforça a necessidade de orientar a população para construir expectativas realistas.

Outro aspecto central abordado é que a evolução digital depende da capacidade humana de produzir informações padronizadas e estruturadas. O conhecimento sobre terminologias clínicas e qualidade dos registros deixa de ser restrito à informática em saúde e torna-se estratégico para todos os profissionais. Dessa forma, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e demais equipes não atuam apenas como usuários, mas como corresponsáveis pela evolução dos ecossistemas informacionais.

Por fim, incorporar essa abordagem de forma integrada aos currículos acadêmicos é essencial para superar a fragmentação do ensino tecnológico. Formar profissionais capazes de distinguir sistemas de informação, bases científicas e inteligências artificiais garante que a transição tecnológica avance com segurança, responsabilidade e benefícios reais para toda a sociedade.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano