Após o resultado das eleições, o mercado financeiro reagiu de forma intensa. A taxa de juros dos títulos públicos com vencimento em dez anos despencou de 14% para 13% ao ano, marcando uma retração expressiva. O movimento foi acompanhado pela queda acentuada do dólar e por uma forte alta na Bolsa de Valores.
Essas transformações expressivas nos preços financeiros demonstram a expectativa dos investidores de que uma gestão liderada por Flávio Bolsonaro promova cortes no déficit fiscal. A percepção de um controle maior das contas públicas acaba abrindo espaço para a projeção de taxas de juros menores no horizonte econômico.
Apesar de a campanha de Flávio Bolsonaro mencionar cortes de gastos equivalentes a 1,5% do PIB, as medidas debatidas ou formalmente anunciadas até o momento ficam distantes desse patamar. As taxas de juros de longo prazo saíram de patamares estratosféricos para níveis ainda elevados, o que indica que os preços refletem a probabilidade de um ajuste e não uma certeza absoluta.
Na avaliação do cenário macroeconômico, o contraste ocorre em relação às projeções para um possível novo mandato do presidente Lula. Sem Fernando Haddad na chefia da Fazenda e com a perspectiva de Aloizio Mercadante no comando do BNDES, analistas apontam dificuldades em esperar responsabilidade fiscal superior à observada nas administrações petistas anteriores.
A efetivação de um ajuste fiscal substancial exigiria reformas complexas, como a desvinculação de benefícios atrelados ao salário mínimo, alterações adicionais na Previdência e a eliminação de exceções dentro da regra fiscal. Como essas pautas não estão em discussão aberta no momento, a análise do mercado baseia-se no histórico dos formuladores econômicos do grupo político.
Nomes centrais da equipe de Flávio Bolsonaro, como Daniella Marques e Adolfo Sachsida, possuem forte ligação com a gestão de Paulo Guedes no governo de Jair Bolsonaro. O período anterior foi marcado por um início focado em austeridade e reformas, embora seguido por expansão de despesas na reta final, servindo de parâmetro para as expectativas atuais do mercado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
