Os campos alagados e as áreas pantanosas do Cerrado em Mato Grosso do Sul sofreram uma redução drástica nas últimas quatro décadas. De acordo com os dados da Coleção 11 do MapBiomas, esses ambientes naturais perderam cerca de 539,6 mil hectares entre 1985 e 2025, o que representa uma queda de 53% em sua extensão territorial no estado.
Com essa retração, a área total ocupada por esses ecossistemas passou de 1,01 milhão para 474,2 mil hectares. O resultado coloca o território sul-mato-grossense entre os estados brasileiros com as maiores perdas proporcionais nessa classe específica de cobertura da terra, ficando ao lado de unidades federativas como Paraná e São Paulo. No contexto de todo o bioma Cerrado, a diminuição média foi de 18%.
Especialistas alertam que a degradação e o desaparecimento desses ambientes trazem prejuízos diretos para o equilíbrio ambiental. Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, explica que brejos, várzeas e veredas desempenham um papel fundamental na retenção da água da chuva e na recarga dos aquíferos e dos rios.
Segundo a pesquisadora, a redução dessas áreas está associada a fatores como a drenagem, eventos climáticos extremos e a conversão do solo para outras finalidades econômicas. No conjunto do bioma Cerrado, a maior parte da conversão de campos alagados e áreas pantanosas para atividades antrópicas — cerca de 76,2% — deu lugar a pastagens e à agricultura.
O levantamento também avaliou a faixa de proteção próxima aos cursos d’água. Na porção da Bacia do Alto Paraguai que se estende pelo Cerrado, a vegetação nativa em uma faixa de até 500 metros dos rios caiu de aproximadamente 2,6 milhões para 1,8 milhão de hectares no mesmo período, representando uma supressão de cerca de 800 mil hectares.
Para reverter esse cenário e garantir a segurança hídrica da região, pesquisadores defendem a adoção de estratégias integradas que envolvam a proteção rigorosa das nascentes, a restauração de áreas degradadas e a manutenção da conectividade entre os remanescentes de vegetação nativa no planalto e nas planícies.
Fonte: www.campograndenews.com.br
