A participação da primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a gerar tensão e críticas nos bastidores do Partido dos Trabalhadores (PT). O episódio mais recente envolveu membros da ala jovem da legenda, que relataram dissabores após um encontro realizado na manhã de quarta-feira (7), no Palácio da Alvorada, localizado em Brasília.
De acordo com informações obtidas nos bastidores políticos, a primeira-dama teria tentado impedir a realização da reunião entre o chefe do Executivo e os jovens petistas. Em contrapartida, a assessoria de imprensa de Janja negou veementemente a informação, sustentando que ela não colocou empecilhos à agenda oficial.
Apesar da suposta resistência nos preparativos, a conversa entre o presidente e os militantes jovens efetivamente aconteceu. O diálogo acabou servindo de subsídio direto para propostas adotadas por Lula no mesmo dia, incluindo a incorporação de slogans voltados à segurança pública durante um encontro posterior com a bancada do PT no Congresso Nacional.
Membros da legenda apontaram que, durante a reunião no Palácio da Alvorada, a primeira-dama manteve-se distante e em silêncio. Diante das manifestações de insatisfação, a equipe de Janja defendeu a legitimidade de sua participação na campanha, ressaltando que ela conta com o respaldo do próprio presidente e continuará engajada nos compromissos políticos do marido.
As reclamações referentes ao protagonismo exercido pela primeira-dama, contudo, extrapolam o episódio recente. Dirigentes partidários afirmam que Janja passou a influenciar diretamente decisões estratégicas da corrida eleitoral, participando ativamente da definição sobre quais autoridades sobem nos palanques dos comícios e opinando na divisão do tempo destinado à propaganda na televisão.
O peso político da atuação de Janja já havia provocado repercussões públicas em agosto, durante a Convenção Nacional do PT. Naquela ocasião, a primeira-dama interrompeu o discurso de Lula sobre planejamento familiar para corrigir uma fala do presidente acerca da gravidez na adolescência, alimentando o debate interno sobre os limites de sua intervenção na campanha.
Fonte: tnonline.uol.com.br
