
Nove anos após ser alvo da Polícia Federal na Operação All In, Gerson Palermo voltou a ser investigado como principal personagem em um esquema de tráfico internacional de drogas na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia. A nova fase das investigações, batizada de Operação Capolinea e deflagrada nesta quinta-feira (15), aponta que a organização criminosa substituiu parte do antigo uso de aeronaves por caminhões carregados com minério de ferro para ocultar cerca de 24 toneladas de entorpecentes.
Mudança na logística e mandados judiciais
Enquanto a operação anterior, em 2017, utilizava o aeródromo de Ocorema, em Ladário, e carretas para o transporte de cocaína com destino a estados como Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, o esquema atual aproveitava o fluxo de veículos de minério para dificultar a fiscalização. A Justiça Federal expediu 21 mandados de prisão, sendo 14 preventivas e sete temporárias, além de 20 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 24 milhões em bens dos investigados.
Aliciamento e vazamento de informações
A apuração da Operação Capolinea revelou que o grupo aliciava funcionários de mineradoras, como supervisores e operadores de balança, para liberar a passagem dos veículos sem os procedimentos habituais de controle. Além disso, a investigação apontou a suspeita de envolvimento de um vigilante da Delegacia da Polícia Federal em Corumbá, enteado de um dos líderes, que teria repassado informações sobre a rotina policial e auxiliado no transporte de drogas. Palermo, que havia acumulado uma condenação anterior de quase 60 anos e permanecido foragido por anos após romper tornozeleira eletrônica concedida em prisão domiciliar, foi localizado e preso na Bolívia em maio deste ano e voltou a ser alvo de mandado na nova operação.
