
A dificuldade para conseguir uma boa noite de descanso afeta a rotina de grande parte da população. Um levantamento realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2023 indica que 72% dos brasileiros conviven com distúrbios do sono, como insônia, apneia e narcolepsia.
Impacto de estimulantes e da cultura regional
Entre os fatores que interferem na qualidade do sono estão o consumo de substâncias estimulantes, refeições pesadas e a exposição à luz. O nutricionista Pedro Hernandes explica que o organismo pode levar de três a oito horas para eliminar metade da cafeína ingerida. O composto está presente não apenas no café, mas também em chocolates, chás e no tereré, bebida tradicional em Mato Grosso do Sul. Embora o tereré apresente menor concentração por porção do que uma xícara de café, ele também possui efeito estimulante.
Relatos de insônia e jornadas exaustivas
A estudante Victória Graffunder, de 23 anos, relata que enfrenta dificuldades para dormir desde os 15 anos e lida com quadros de ansiedade. Mesmo fazendo uso de medicamentos e tentando reduzir o uso de telas antes de deitar, ela aponta que o pensamento acelerado e as preocupações prejudicam o descanso. Já a enfermeira Deborah Nunes, de 26 anos, está afastada por burnout após enfrentar jornadas prolongadas e plantões exaustivos em hospital público, dinâmica que relata ter prejudicado a recuperação do seu sono.
Orientações médicas e higiene do sono
Especialistas recomendam a adoção de práticas de higiene do sono, como reservar a cama apenas para dormir, diminuir o uso de aparelhos eletrônicos e evitar álcool, tabaco e cafeína perto do horário de descanso. O consumo de álcool, embora cause sonolência inicial, compromete a qualidade do sono. Diante de distúrbios frequentes, a indicação é buscar avaliação médica e psicológica para identificar a raiz do problema e definir o tratamento adequado.
