Últimas notícias
DESTAQUES

Diagnóstico da Defensoria aponta falhas na saúde sexual de presas em MS

Pesquisa ouviu 488 mulheres em unidades do interior e revelou ausência de orientações e métodos contraceptivos.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Diagnóstico da Defensoria aponta falhas na saúde sexual de presas em MS

Um levantamento realizado em seis unidades prisionais femininas do interior de Mato Grosso do Sul revelou que mais da metade das detentas não tem acesso a métodos contraceptivos ou orientações sobre direitos sexuais e reprodutivos. Os dados fazem parte do “Diagnóstico com perspectiva de gênero e atendimento pelo Nudem das mulheres que cumprem pena no regime fechado – Etapa de Interiorização”, apresentado pela Defensoria Pública do Estado.

O estudo foi desenvolvido pelo Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) em parceria com a Coordenadoria de Pesquisas e Estudos (CPES). Entre novembro de 2025 e julho de 2026, foram ouvidas 488 mulheres, o que corresponde a cerca de dois terços das 731 custodiadas nas unidades localizadas em Rio Brilhante, São Gabriel do Oeste, Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã e Jateí, conforme o cenário registrado em agosto de 2026.

Resultados e saúde mental

Conforme o relatório, 58,6% das entrevistadas relataram falta de contraceptivos no ambiente prisional, enquanto 53,7% afirmaram não ter recebido informações sobre o tema. Além disso, 62,3% informaram fazer uso de medicação contínua. A Defensoria Pública pontuou que o uso desses remédios não comprova, por si só, prescrição inadequada.

A psicóloga do Nudem, Keila Oliveira Antônio, que integrou a equipe de entrevistas, relatou ter ouvido de algumas custodiadas que elas utilizavam diversos medicamentos psiquiátricos sem passarem por atendimento com um psiquiatra. A profissional ponderou que a saúde mental abrange aspectos que vão além do consumo de remédios, embora tais relatos constituam observações de campo e não integrem os resultados quantificados do diagnóstico.

Histórico de violência

O levantamento também mapeou episódios de violência vividos pelas mulheres antes do encarceramento. Do total de participantes, 56,5% afirmaram ter sofrido violência doméstica e 39,3% relataram ter enfrentado abuso ou violência sexual durante a infância ou a adolescência. A pesquisa ressalta que os dados não estabelecem uma ligação direta entre essas vivências anteriores e a atual situação de saúde das custodiadas.

As informações coletadas servirão de base para orientar o planejamento de ações da Defensoria Pública, qualificar o atendimento jurídico prestado e fomentar o debate sobre políticas públicas voltadas a esse público.

Escrito por

Jeder Fabiano