
Sepulturas localizadas no interior de igrejas em Mato Grosso do Sul continuam a preservar memórias ligadas à fundação e ao desenvolvimento de cidades como Campo Grande, Dourados e Corumbá. Longe dos cemitérios tradicionais, esses espaços reúnem homenagens de fiéis, familiares e turistas que visitam os templos para conhecer trajetórias marcantes. A prática de sepultamento em áreas sagradas remonta a tradições cristãs e históricas, embora tenha sofrido restrições a partir do século XIX devido a normas sanitárias.
Em Campo Grande, um dos exemplos mais emblemáticos é o túmulo de Tia Eva, fundadora da comunidade que leva seu nome, localizado na Igreja de São Benedito. A matriarca foi inicialmente sepultada em um cemitério ao lado do templo, mas com o crescimento urbano e a desativação da área, seus restos mortais foram transferidos para o interior da igreja por decisão das lideranças mais antigas. O local, que passa por reformas com reabertura prevista para 11 de novembro para marcar o centenário de sua morte, serve como ponto de referência para descendentes e visitantes interessados na história local.
Na Paróquia São José, também na Capital, o túmulo do padre João Crippa atrai fiéis que deixam cartazes e placas com agradecimentos por milagres atribuídos à sua intercessão. A causa de beatificação do sacerdote, que atuou por cerca de 20 anos na cidade e fundou o Oratório São José, está em andamento com inquérito diocesano aberto em outubro de 2026. Seus restos mortais foram trazidos de Três Lagoas em 1951 a pedido da população local. A igreja também abriga a sepultura de dom Antônio Barbosa, primeiro arcebispo de Campo Grande, situada sob o altar da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Abadia, com acesso restrito ao público.
Outras cidades sul-mato-grossenses também guardam sepulturas em templos religiosos, como a cripta de dom Teodardo Leitz na Catedral Imaculada Conceição, em Dourados, e o túmulo de dom Vicente Priante na Catedral de Nossa Senhora da Candelária, em Corumbá. Historiadores explicam que tais sepultamentos expressavam tanto a fé na ressurreição quanto as distinções sociais e raciais de épocas passadas, refletindo o prestígio e o papel comunitário dos sepultados antes que os cemitérios fossem universalizados pelas correntes higienistas.
