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Governo de MG identifica danos ambientais após vazamento de estruturas da Vale e autuará empresa

Governo de MG identifica danos ambientais após vazamento de estruturas da Vale e autuará empresa

O governo de Minas Gerais informou ter identificado danos ambientais decorrentes do vazamento de água e lama de duas estruturas de drenagem (sumps ou sumidouros) da mineradora Vale na cidade de Congonhas. De acordo com o governo mineiro, houve carregamento de sedimentos e assoreamento de córregos na região.

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais determinou que a Vale cumpra uma série de medidas emergenciais, incluindo ações de limpeza e monitoramento do curso d’água atingido. A mineradora também deverá apresentar plano de recuperação para limpeza das margens, desassoreamento e outras ações necessárias para a recuperação do córrego.

A Vale será autuada pelo governo mineiro por “intervenções que resultaram em poluição e danos aos recursos hídricos e ao meio ambiente, além de possível prejuízo à saúde e ao bem-estar da população” e por “não comunicar o acidente ambiental dentro do prazo legal de até duas horas após a ocorrência”.

O Estadão questionou a Vale sobre as autuações, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto. A Prefeitura de Congonhas suspendeu os alvarás de funcionamento da Vale no município.

Os vazamentos

O primeiro vazamento ocorreu na mina chamada Fábrica, no domingo, 25.Poucas horas depois, no mesmo dia, vazou água e lama na mina Viga. Cerca de 260 mil metros cúbicos de água vazaram para rios de Congonhas.

A prefeitura de Congonhas havia informado que ninguém se feriu, o abastecimento de água da cidade não foi afetado e comunidades e vias não foram atingidas nem sofreram danos.

Após as duas situações, a Vale havia afirmado em nota que os vazamentos foram contidos e que realiza ações de inspeção e manutenção preventiva de estruturas, atitudes reforçadas em períodos chuvosos. Também disse que irá se manifestar dentro dos prazos legais sobre as exigências feitas pelo município, colaborando integralmente com as autoridades e prestando todos os esclarecimentos necessários.

A empresa ainda havia destacado que suas barragens na região permanecem com “condições de estabilidade” e “segurança inalteradas”, sendo monitoradas 24 horas por dia, sete dias por semana.

Os córregos atingidos são afluentes do rio Maranhão, que atravessa Congonhas. Por sua vez, o Maranhão é afluente do rio Paraopebas, que foi um dos atingidos pelo rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho, em 2019.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cobrou uma solução efetiva da situação à Agência Nacional de Mineração (ANM), com a interdição da operação caso haja necessidade, e a abertura de um processo de investigação das responsabilidades pelo acidente.

A ANM afirmou que as duas situações são acompanhadas por equipes técnicas da agência, com verificação das condições de funcionamento das estruturas envolvidas e das medidas adotadas pelo empreendedor, e que a apuração de responsabilidades integra o processo regulatório, com aplicação das sanções cabíveis caso sejam constatadas irregularidades.

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