Uma revisão sistemática publicada na revista Nutrients indicou que a ingestão de peixe durante o período de gestação está relacionada a impactos positivos no desenvolvimento neurológico do feto. O trabalho científico foi conduzido por pesquisadores australianos com o propósito de examinar criticamente a literatura sobre o tema.
O levantamento abrangeu artigos de periódicos publicados no intervalo entre janeiro de 2000 e março de 2014. As buscas foram realizadas nas bases de dados Medline, Scopus, Web of Science, ScienceDirect e na Biblioteca Cochrane, utilizando termos específicos sobre gravidez, neurodesenvolvimento, cognição e frutos do mar. Entre os 279 trabalhos localizados, oito estudos coorte integraram a análise final. Devido às diferenças metodológicas e nos desfechos avaliados, os autores realizaram uma comparação qualitativa.
Relação entre ômega-3 e sistema nervoso
Os dados apontam que a ingestão de uma ou mais porções de peixe semanalmente na gravidez favorece o desenvolvimento neurológico fetal. Embora o mecanismo exato não tenha sido totalmente esclarecido, gestantes que consomem peixes de forma regular apresentam taxas elevadas de ácidos graxos ômega-3 no sangue. Esses nutrientes são apontados como fundamentais para o funcionamento e desenvolvimento cerebral ao longo de toda a vida.
O tecido cerebral é formado majoritariamente por lipídeos, que incluem tipos saturados, monoinsaturados e poli-insaturados. Deste último grupo, o ômega-3 representa de 10% a 20% da composição total de ácidos graxos no cérebro, atuando como elemento estrutural básico das membranas neuronais e participando da bioquímica do desenvolvimento do sistema nervoso central.
Com base nos achados da investigação, os autores concluíram que a orientação atual de ingerir de duas a três porções semanais de peixe se mostra adequada.

