Um dos contratos da Santa Casa de Campo Grande que está sob investigação na Operação Antidotum consta como 100% cumprido na página de transparência do hospital. A prestadora de serviços envolvida é a Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços, sediada em Goiânia (GO), contratada em 30 de abril de 2025 com encerramento registrado em 29 de outubro do mesmo ano.
Apesar de o status indicar o cumprimento integral, o arquivo assinado referente ao período não está disponibilizado publicamente no site institucional, ao contrário de diversos outros acordos que trazem o documento anexado para consulta. As informações disponíveis na página apontam apenas que a empresa foi contratada para serviços de diagnóstico, higienização, preparação, digitação, indexação e reorganização de documentos.
O escopo também previa a integração dos arquivos digitalizados aos sistemas de suporte do acervo digital, visando conferir autenticidade às informações arquivadas. Contudo, após essa descrição inicial, nenhum outro dado detalhado ou valor financeiro foi publicado de forma acessível na plataforma de transparência do hospital.
A Operação Antidotum, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apura fraudes e desvios de recursos em contratos da instituição. A investigação aponta que o contrato com a Redvalue, avaliado inicialmente em 5,4 milhões de reais por três anos, registrou um desvio de 1,4 milhão de reais logo no primeiro ano de vigência.
Durante a reunião de emergência dos conselheiros do hospital, o diretor de negócios e relações institucionais, João Carlos Marchezan, declarou que o contrato não era de sua área de atuação direta, mas afirmou que, até onde sabia, os serviços vinham sendo prestados. Por sua vez, o advogado da instituição, Robert Franco, informou que a defesa ainda desconhece o objeto exato da operação e já protocolou pedido de acesso aos autos junto à Justiça.
A direção da Santa Casa já foi recomposta estatutariamente com a posse do vice-presidente e diretores suplentes. A investigação revelou ainda que a operadora de saúde do hospital pagou milhões a empresas suspeitas com o mesmo endereço registrado, mas que estavam desocupadas, gerando prejuízos expressivos e sonegando prestações de contas de órgãos de controle.
Fonte: www.campograndenews.com.br
