Após quatro horas de intensos e emocionados debates, os deputados britânicos rejeitaram nesta sexta-feira (11) um projeto de lei que buscava legalizar a ajuda para morrer na Inglaterra e no País de Gales. A votação na câmara baixa do Parlamento terminou com um placar apertado de 286 votos contrários e 270 favoráveis à medida.
O texto agora arquivado pretendia conceder acesso à morte assistida a pacientes com expectativa de vida inferior a seis meses. Para que o pedido fosse atendido, seria exigido o aval de dois médicos e de um painel de especialistas, além da condição de que o próprio paciente fosse plenamente capaz de autoadministrar a substância letal.
Enquanto defensores da proposta argumentavam que a legislação ofereceria um fim digno a adultos em fase terminal, o setor crítico sustentava receios de que a medida pudesse colocar em risco e pressionar idosos e pessoas com deficiência. O debate gerou divisões profundas dentro do próprio Parlamento e da sociedade do Reino Unido.
A posição do governo trabalhista liderado pelo primeiro-ministro Andy Burnham manteve-se neutra, permitindo que os parlamentares votassem conforme suas próprias consciências. A rejeição mantém vigente a atual lei britânica, que penaliza o auxílio ao suicídio com penas de até 14 anos de prisão, panorama classificado por alguns parlamentares apoiadores como excessivamente severo.
Organizações de defesa do direito à morte assistida lamentaram profundamente o resultado, qualificando o revés como devastador para pacientes no fim da vida, ao passo que coletivos de pessoas com deficiência comemoraram a decisão como uma vitória protetiva. Associações e familiares prometeram continuar a luta pela mudança legislativa no futuro.
Com essa decisão, o Reino Unido permanece distante de nações como Canadá, Bélgica, Suíça, Uruguai e França que já adotaram reformas semelhantes. Pesquisas de opinião recentes, no entanto, indicam que a maioria da população britânica segue favorável ao princípio da legalização da ajuda para morrer.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
