A Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, destinou R$ 10 mil ao aluguel de uma peruca para o ator Jim Caviezel, intérprete do ex-presidente na obra. Além disso, a empresa acumulou ao menos R$ 732 mil em despesas de hospedagem para o protagonista, seu agente e sua equipe de seguranças em um hotel de luxo localizado em São Paulo.
Os montantes vieram à tona por meio de comprovantes bancários e notas fiscais entregues pela defesa da companhia e de sua representante legal, Karina Ferreira da Gama, à Polícia Federal (PF). Os materiais compõem o escopo de investigações do inquérito que analisa o financiamento do longa-metragem no contexto do caso Banco Master.
O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo sobre a apuração do filme, ampliando a divulgação de processos vinculados ao caso Master. A medida ocorreu após determinação do presidente da corte, Edson Fachin, na esteira de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que todos os inquéritos da operação fossem tornados públicos.
Entre os registros apresentados aos investigadores, destaca-se uma transferência bancária efetuada em 5 de dezembro de 2025 para a locação da peruca utilizada por Jim Caviezel. No setor de hospedagem, seis notas fiscais emitidas pelo estabelecimento paulistano somam mais de R$ 663 mil e contemplam despesas do ator, de seu agente Nathon Lewis e de Richard Dobrich, além de outras notas referentes ao segurança Keith Billiot.
A documentação entregue à corporação policial também registra uma transação no valor de quase R$ 298 mil paga ao hotel no final de dezembro de 2025, descrita como hospedagem somada a gorjetas e massagens para o ator principal, embora não tenha sido localizada nota fiscal correspondente ou o detalhamento exato de cada serviço. Outros custos menores envolveram serviços de manicure para atrizes do elenco e a locação de apliques e perucas adicionais para personagens secundários.
As informações financeiras foram repassadas no âmbito de um ofício da PF que exigia o detalhamento das finanças da produção, incluindo origem de recursos e contratos com profissionais estrangeiros, como o diretor Cyrus Nowrasteh. Contudo, impasses com sócios norte-americanos da Go Up geraram recusas parciais no envio de arquivos mantidos nos Estados Unidos, sob o argumento de que a cooperação deveria seguir canais diplomáticos internacionais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
