Em meio ao acirramento da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência (CCAI), anunciou que vai convocar uma sessão extraordinária. O objetivo do encontro é debater os relatórios de inteligência que acabaram por amplificar o conflito no âmbito da Suprema Corte brasileira.
A realização da reunião está programada para ocorrer na próxima semana, com data exata ainda a ser definida pelos parlamentares. A convocação ocorre após intensa pressão exercida por parlamentares bolsonaristas, que exigem que o Senado Federal se debruce de maneira aprofundada sobre o tema sensível.
Antes de formalizar a marcação do encontro, o senador Nelsinho Trad manteve comunicação direta com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Deputados responsáveis por assinar o requerimento que pedia a reunião pretendem aproveitar o debate para criticar a postura adotada pelo STF e reiterar pedidos de impeachment contra ministros da corte.
A recente turbulência no Supremo teve início com a revelação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O cenário, contudo, agravou-se consideravelmente com o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, desdobramento motivado pela divulgação de um relatório de inteligência que indicava o suposto monitoramento do ministro André Mendonça.
Nos bastidores legislativos, tramita no Senado um projeto de lei que propõe a proibição do uso de relatórios de inteligência em investigações de natureza criminal. A proposta visa regulamentar de forma mais rígida a atividade de inteligência no país, embora o governo federal tenha conseguido articular o adiamento da votação da matéria.
Ao comentar a iniciativa da comissão, Nelsinho Trad ressaltou a importância da prudência institucional. ‘A CCAI é um órgão de Estado e precisa cumprir seu papel com equilíbrio, responsabilidade e respeito às instituições. Não cabe antecipar julgamentos nem politizar a atuação da comissão’, declarou o senador à coluna.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
