A reforma agrária voltou a registrar avanço em Mato Grosso do Sul após mais de dez anos sem a criação de novos projetos de assentamento no estado. No entanto, a retomada ocorre em um ritmo inferior ao tamanho da demanda populacional por terra. Dados atualizados do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) mostram que cerca de 19,5 mil famílias permanecem acampadas em 101 acampamentos distribuídos por 32 municípios sul-matogrossenses.
Enquanto a fila de espera se mantém na casa dos milhares, cerca de 1.100 famílias participam atualmente do processo de seleção para ingressar no PNRA (Programa Nacional de Reforma Agrária). A grande procura pelas oportunidades fica evidente na concorrência: cerca de 6 mil famílias se inscreveram nos 15 editais abertos neste ano para preencher justamente essas 1.100 vagas, registrando uma média superior a cinco candidatos por oportunidade.
O cenário atual representa uma mudança significativa em relação ao período anterior. Segundo o próprio Incra, antes da recente retomada, o último projeto de assentamento estabelecido no estado havia sido o Nazareth, localizado em Sidrolândia, no ano de 2013. O longo intervalo foi encerrado somente em 2025 com a criação do Projeto de Assentamento União e Reconstrução, em Cassilândia, contemplando 80 famílias em uma área de 718,7 hectares.
Como parte dos esforços atuais, duas grandes aquisições de propriedades rurais se destacam nas fases finais dos processos administrativos. Juntas, as compras das fazendas Paraíso, em Jaraguari, e Santo Antônio de Pádua, em Naviraí, envolvem um montante de aproximadamente R$ 130 milhões. A Fazenda Paraíso, com 1.941 hectares, já teve o pagamento efetuado por cerca de R$ 95,7 milhões e aguarda a publicação da portaria de criação do assentamento para abrigar cerca de 300 famílias.
Já no município de Naviraí, a compra da Fazenda Santo Antônio de Pádua foi autorizada no início de setembro por R$ 36,6 milhões. O imóvel possui 713,8 hectares e tem capacidade projetada para receber entre 150 e 200 famílias. Contudo, o processo ainda exige etapas burocráticas pendentes, como empenho, lavratura de escritura pública, registro cartorário e a efetivação do pagamento antes da criação oficial do novo assentamento.
Paralelamente às desapropriações e compras de terras, o Incra tem atuado em projetos já consolidados. O órgão informou ter aplicado R$ 9,6 milhões em créditos produtivos durante o ano de 2025, beneficiando 1.207 famílias. No mesmo período, houve a regularização de 1.019 famílias e a emissão de 3.470 Contratos de Concessão de Uso (CCUs), documento que garante a posse provisória da terra aos produtores assentados.
Fonte: www.campograndenews.com.br
