O presidente-executivo da companhia aérea de baixo custo Ryanair, Michael O’Leary, contestou enfaticamente os relatos de que um passageiro teria sido parcialmente sugado pela janela estilhaçada de um avião durante um voo ocorrido em julho. O episódio envolveu uma aeronave operada pela Malta Air, subsidiária da empresa, que havia decolado de Tessalônica, na Grécia, com destino à Alemanha, voando a cerca de 16 mil pés de altitude.
Segundo O’Leary, o homem permaneceu firmemente preso ao seu assento pelo cinto de segurança no momento em que a estrutura da janela se rompeu de maneira drástica. Durante uma entrevista coletiva realizada em Dublin, o executivo pontuou que nenhuma parte do corpo do passageiro chegou a transpassar a abertura externa da aeronave, embora reconheça a gravidade e o impacto do incidente a bordo.
O posicionamento da diretoria da empresa, contudo, colide diretamente com a versão apresentada pela defesa do passageiro afetado. O advogado Vasilis Tsiaras declarou publicamente que a cabeça, a mão e parte do tronco de seu cliente, identificado como Ljubisa Karovic, de 61 anos, foram efetivamente puxados para fora da janela do Boeing 737, exigindo a intervenção urgente de sua esposa e de outros ocupantes.
O relatório emitido pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos corroborou que o comissário de bordo percebeu que o ocupante do assento 11F estava parcialmente preso junto à janela danificada, cuja estrutura inteira havia desaparecido. Posteriormente, investigações apontaram que restos de uma ave colidiram com o motor da aeronave, cujas pás ricochetearam e acabaram trincando o vidro da cabine.
Apesar da intensa controvérsia em torno da dinâmica exata do ocorrido, o dirigente da companhia aérea irlandesa admitiu que o passageiro sofreu ferimentos decorrentes da situação e tem direito a algum tipo de compensação financeira. No entanto, O’Leary criticou fortemente o que classificou como uma atuação de advogados focados em maximizar indenizações na justiça europeia.
Enquanto a disputa jurídica ganha novos contornos com dezenas de passageiros preparando ações legais, a defesa de Karovic reitera a existência de múltiplas testemunhas oculares no voo. O caso segue sob intensa atenção pública, dividindo opiniões entre a administração da companhia de aviação e os relatos dos viajantes afetados pelo dramático voo na Europa.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
