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El Niño pode afetar oferta e cotações de soja, diz economista

Economista aponta que riscos climáticos globais, avanço do El Niño e estoques mais baixos podem transformar o cenário de crédito e preços para o produtor rural brasileiro na safra 2026/2027.

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El Niño pode afetar oferta e cotações de soja, diz economista

O produtor rural brasileiro enfrenta atualmente um cenário desafiador, marcado por crédito caro, endividamento elevado e dificuldades consideráveis para o financiamento da próxima safra. No entanto, esse quadro pode passar por uma transformação importante no ciclo 2026/2027, impulsionado por uma combinação de fatores internacionais e climáticos.

Entre os elementos que sustentam essa perspectiva estão a menor expansão da oferta mundial de grãos, estoques globais mais baixos e o aumento expressivo dos riscos climáticos. Alexandre Mendonça de Barros, economista e sócio da E&Y, avaliou o cenário atual e apontou para o que classificou como um momento de virada relevante no mercado internacional, lembrando que os ciclos de preços no agronegócio costumam se alternar a cada três ou quatro anos.

Segundo o especialista, o Brasil tem sido o principal motor da expansão da oferta global nos últimos anos. O crescimento da área plantada, o avanço tecnológico e o ganho de produtividade resultaram na colocação de cerca de 50 milhões de toneladas adicionais de grãos no mercado mundial, o que pressionou os preços para baixo no período recente.

No entanto, os riscos climáticos globais já estão em andamento e começam a alterar essa dinâmica. Na Europa, a ocorrência de uma seca aguda reduziu as safras de trigo e milho. Paralelamente, nos Estados Unidos, áreas voltadas à pecuária e ao cultivo de algodão enfrentam condições severas de seca, com expectativas de perdas e redução na produtividade de milho e soja.

No contexto nacional, os modelos meteorológicos indicam riscos consideráveis para a próxima safra, com potencial redução nas precipitações a partir de novembro e dezembro, especialmente nas regiões Centro e Nordeste. O economista comparou a situação atual com o episódio de El Niño registrado em 2015, ressaltando que áreas como o Nordeste, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e o norte do Mato Grosso possuem hoje relevância muito maior em termos de área plantada do que no passado.

Diante desse panorama de incertezas, Mendonça de Barros recomendou que os produtores adotem uma estratégia mista, aproveitando parte dos preços já elevados sem apostar integralmente em uma escalada adicional. O produtor, contudo, deve ser o primeiro a se beneficiar da melhora nas cotações, o que também tende a reanimar o mercado de crédito e a recompor a rentabilidade do setor agrícola nos próximos anos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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