Uma pesquisa realizada pela Quaest, contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e divulgada nesta segunda-feira (14), aponta que a maioria da população brasileira defende mudanças estruturais no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento foi a campo em um momento marcado por conflitos internos na Corte, evidenciados recentemente por embates públicos entre ministros.
De acordo com os dados obtidos, 68% dos eleitores ouvidos disseram ser favoráveis a aumentar as exigências exigidas para a chegada de novos nomes ao Supremo. A discussão sobre o perfil e o processo de seleção dos magistrados ganha força no debate nacional diante do desgaste institucional recente.
Além da rigidez nos critérios de escolha, o levantamento indicou que 53% dos brasileiros são favoráveis ao estabelecimento de um mandato com tempo fixo para os integrantes do tribunal. Na mesma proporção, o estudo mapeou o apoio à adoção de um código de ética específico para a Corte. Atualmente, os ministros não possuem prazo determinado de permanência, mantendo-se no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.
Outro ponto avaliado pela pesquisa envolve o modelo de indicação para o STF. Hoje, a prerrogativa de escolha cabe exclusivamente ao presidente da República. Segundo a Quaest, 50% dos entrevistados apoiam que o Congresso Nacional e o próprio Poder Judiciário também possam indicar magistrados para o tribunal superior.
O levantamento também mediu o nível de confiança da sociedade na mais alta Corte do país. O índice daqueles que afirmam “não confiar” no STF alcançou 56%, enquanto apenas 9% disseram “confiar muito” e 30% relataram “confiar pouco”. O patamar de desconfiança apresentou uma alta de dez pontos percentuais em comparação com o levantamento anterior, divulgado em agosto.
A série histórica da pesquisa mostra que a rejeição atual retorna a patamares registrados no primeiro semestre de 2026. Em abril, o índice de desconfiança estava em 53%, subindo para 55% em maio, refletindo o impacto das turbulências políticas e institucionais na percepção pública sobre o tribunal.
Fonte: g1.globo.com
