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Mercado clandestino de pepinos-do-mar movimenta milhões e atrai redes criminosas globais

Criaturas marinhas conhecidas como pepinos-do-mar tornaram-se alvo de um lucrativo mercado ilegal internacional impulsionado pela fama afrodisíaca e pela alta demanda no mercado asiático.

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Mercado clandestino de pepinos-do-mar movimenta milhões e atrai redes criminosas globais

Conhecidos popularmente por nomes que geram confusão, os pepinos-do-mar não são nem vegetais nem peixes, mas sim equinodermos, animais marinhos invertebrados que exercem uma função ecológica vital nos oceanos. Eles atuam na reciclagem de matéria orgânica, ingerindo sedimentos e excretando areia limpa e oxigenada, o que ajuda a manter a saúde dos recifes de corais e a mitigar a acidificação das águas marinhas.

Apesar de sua importância ambiental, essas criaturas gelatinosas tornaram-se o centro de um mercado clandestino global que movimenta cerca de 200 milhões de dólares por ano. A principal força por trás dessa exploração intensiva é a alta demanda na China e no Sudeste Asiático, onde são consumidos como iguarias em sopas, conservas ou utilizados em remédios tradicionais devido à crença de que possuem propriedades afrodisíacas, associada ao seu formato anatômico.

Com o avanço da pesca comercial predatória iniciada na década de 1980, cerca de 70% das pescarias da espécie tornaram-se superexploradas em todo o mundo. Essa lucratividade chamou a atenção de redes criminosas organizadas, incluindo cartéis internacionais e até mesmo a Yakuza japonesa, que passaram a integrar o contrabando de pepinos-do-mar aos seus portfólios de atividades ilícitas, explorando legislações frágeis e a falta de fiscalização específica.

Na Índia, que proibiu a pesca da espécie em 2001, a proteção é rigorosa e equiparada à caça ilegal de animais como tigres e elefantes, com penas que podem chegar a sete anos de prisão. Graças a essa vigilância severa, as populações de pepinos-do-mar nas proximidades das Ilhas Andamão têm apresentado sinais de recuperação e prosperidade.

Em contraste, a instabilidade política em regiões vizinhas, como Mianmar, tem impulsionado caçadores ilegais a arriscarem travessias perigosas em busca do animal marinho. Enfrentando a marinha indiana, piratas e até populações de crocodilos nos manguezais, esses contrabandistas sobrevivem em condições extremas para abastecer o mercado clandestino transnacional.

Especialistas em crimes ambientais apontam que o combate a esse comércio ilegal exige maior conscientização dos consumidores globais, endurecimento de leis internacionais e cooperação entre governos para desmantelar as redes financeiras por trás do contrabando. Sem uma articulação firme, os ecossistemas marinhos continuarão vulneráveis à ganância do tráfico internacional.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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