O gabinete do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou que o magistrado recebeu nesta segunda-feira (14) o conteúdo integral do celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O material telefônico havia sido apreendido em novembro do ano passado durante a deflagração da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A entrega dos dados ocorreu logo após o ministro determinar, em uma decisão emitida no domingo (13), que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, providenciasse o compartilhamento imediato de uma cópia integral do material com o seu gabinete. A movimentação em torno do caso alterou os ânimos nos bastidores da mais alta Corte do país.
A decisão tomada por Zanin acabou por aprofundar o clima de tensão no STF. A expectativa nos corredores do tribunal é intensa, uma vez que os ministros têm marcado para esta terça-feira (15) a análise coletiva sobre a necessidade de a Corte apurar o teor de uma troca de mensagens descoberta entre o próprio Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Horas antes da ordem de Zanin, o ministro André Mendonça enviou um ofício sustentando que a abertura e o compartilhamento de todo o conteúdo extraído do telefone celular poderiam trazer consequências negativas para o andamento dos trabalhos na Corte. Segundo Mendonça, a medida “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e colocaria “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”.
Na mesma manifestação, o ministro André Mendonça argumentou que os demais integrantes da Corte já possuíam o material estritamente necessário para realizar a análise adequada do caso, não havendo justificativa para a abertura irrestrita de todo o volume de dados extraídos do aparelho apreendido pela corporação policial.
Em contrapartida a essa avaliação, ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e o próprio Cristiano Zanin vinham defendendo e cobrando publicamente o acesso irrestrito ao espelhamento completo do aparelho. O grupo argumentou que a visualização ampla é fundamental para garantir a contextualização correta dos fatos antes de qualquer deliberação definitiva pelo plenário do tribunal.
Fonte: g1.globo.com
