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Bukele é o futuro da segurança no Brasil?

Desde 2023, dezenas de políticos brasileiros visitaram El Salvador e elogiaram o modelo de Nayib Bukele, mas especialistas apontam limites e paralelos perigosos para a segurança pública nacional.

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Bukele é o futuro da segurança no Brasil?

Desde o ano de 2023, pelo menos 14 políticos brasileiros, incluindo nomes expressivos como os presidenciáveis Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, realizaram visitas a El Salvador. O governador paulista Tarcísio de Freitas também manifestou admiração pelas políticas de Nayib Bukele, alimentando promessas de construção de presídios de segurança máxima no território brasileiro.

A queda vertiginosa nos índices de violência em território salvadorenho desperta interesse internacional. De acordo com os dados oficiais, a taxa de homicídios despencou de 105 por 100 mil habitantes em 2015 para 1,3 em 2025. Contudo, analistas apontam que a propaganda estatal oculta dados cruciais, como mortes decorrentes de intervenções policiais, corpos encontrados em covas clandestinas e óbitos dentro do sistema prisional, além do fato de que o megaprésidio Cecot não reflete a realidade das demais unidades correcionais do país.

Apesar das ressalvas sobre os números, a redução é expressiva e encontra paralelos históricos em outras localidades, como Medellín, São Paulo e Nova York, onde reduções drásticas de criminalidade também foram registradas ao longo das décadas. Nesses casos anteriores, investigações posteriores revelaram que organizações criminosas locais atuaram diretamente como artífices dessas quedas na violência urbana.

O diferencial propagandeado no chamado “modelo Bukele” reside na expansão drástica do encarceramento. Enquanto o Brasil elevou sua população prisional de 90 mil presos em 1990 para quase 965 mil em 2025, alcançando uma taxa de 4,5 detentos por mil habitantes, El Salvador registrou uma marca impressionante de 18 presos por mil habitantes, com índices ainda maiores entre a população masculina.

Para implementar essas medidas com rapidez, a gestão de Bukele adotou características autoritárias, suspendendo garantias fundamentais, subordinando o poder Judiciário e removendo travas legais à reeleição. Especialistas ressaltam que replicar tal formato no Brasil enfrenta barreiras logísticas e estruturais intransponíveis, dado o tamanho continental do país e a atuação transnacional de facções criminosas consolidadas, como o Primeiro Comando da Capital.

Em suma, as diretrizes adotadas no país centro-americano remetem a velhas práticas ineficazes da história brasileira e do próprio período da ditadura militar, que culminaram na gênese de grandes facções criminosas nas cadeias. Para uma política de segurança pública verdadeiramente eficaz no Brasil, analistas defendem a construção de eixos democráticos baseados na soberania estatal, regulação de mercados ilegais, sufocamento financeiro do crime organizado e controle rigoroso da letalidade policial.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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