Um acordo firmado entre a farmacêutica Gilead Sciences e a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), anunciado nesta terça-feira (15), estabelece uma nova alternativa para que nações da América Latina e do Caribe obtenham acesso ao lenacapavir, um medicamento injetável de aplicação semestral voltado à prevenção do HIV.
O Brasil integra o grupo de 14 países da região contemplados pela iniciativa. Todos eles haviam ficado de fora dos acordos de licenciamento voluntário estabelecidos previamente pela empresa com fabricantes de genéricos, tornando indispensável a realização de tratativas diretas com a Gilead para a aquisição da fórmula.
Apesar da assinatura do pacto, a disponibilidade imediata do lenacapavir nos países beneficiados ainda não está garantida. O comunicado oficial divulgado pela farmacêutica omitiu detalhes como o preço do produto, o volume reservado para o mercado brasileiro e o cronograma de fornecimento, cabendo a cada governo decidir sobre a adesão.
No âmbito regulatório nacional, o medicamento já superou uma etapa importante em janeiro deste ano, quando a Anvisa autorizou o uso do Sunlenca — nome comercial do fármaco — como profilaxia pré-exposição (PrEP) para adultos e adolescentes com mais de 12 anos e peso superior a 35 kg. Contudo, a comercialização ainda aguarda a definição de preço máximo pela CMED.
Para a incorporação do produto ao SUS, o processo exige passagens pela Conitec e aval do Ministério da Saúde. A pasta tentou negociar diretamente a compra com a Gilead anteriormente, sem sucesso, embora a empresa mantenha a intenção de continuar conversas com o governo brasileiro paralelamente ao acordo com a Opas.
O lenacapavir representa um avanço expressivo na prevenção do HIV por dispensar a necessidade de comprimidos diários. Aplicado de forma subcutânea a cada seis meses, o antirretroviral atua bloqueando o capsídeo viral e demonstrou alta eficácia e segurança em estudos clínicos de fase 3 realizados internacionalmente e com participação brasileira.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
