A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) firmou um acordo para ressarcir a concessionária Trivia Trens em aproximadamente R$ 24,4 milhões. O valor é referente aos 90 dias em que a estatal paulista reassumiu a gestão operacional das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade do sistema de trens metropolitanos de São Paulo.
A intervenção temporária ocorreu após uma grave falha no fornecimento de energia e um incêndio em uma composição registrados no dia 23 de julho. O incidente provocou a paralisação simultânea dos três ramais e gerou momentos de pânico entre os passageiros, que precisaram abandonar os vagões e caminhar pelos trilhos para escapar da área de risco.
Diante da crise, o governo liderado por Tarcísio de Freitas determinou que a CPTM voltasse a administrar os ramais por pelo menos 90 dias. A decisão foi aplicada apenas dois dias após a transferência oficial do controle para a concessionária privada, pertencente ao grupo Comporte Participações.
De acordo com o extrato de aditamento publicado em um boletim oficial, o montante começou a ser contabilizado a partir de 24 de julho, data em que a estatal retomou formalmente a operação das linhas. Segundo a companhia pública, os recursos servem para cobrir despesas com serviços contratados pela concessionária que continuam sendo utilizados, como limpeza, manutenção de elevadores e escadas rolantes, além de outras despesas operacionais das estações.
A empresa pública enfatizou que a quantia não configura remuneração à Trivia Trens pela operação dos trens durante o período sob tutela estatal, tratando-se exclusivamente de um aditivo para prorrogar o convênio e reembolsar custos de infraestrutura. A concessionária havia assumido o controle dos ramais em 21 de julho, após vencer um leilão de concessão realizado em março de 2025.
O episódio de paralisação também motivou desdobramentos jurídicos e políticos. No final de julho, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar as falhas operacionais e apurar riscos à integridade dos usuários, enquanto o governador chegou a ameaçar declarar a caducidade do contrato caso a empresa não elevasse seus padrões de segurança e preparação para o serviço.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
