A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou nesta terça-feira (15), em Genebra, o seu relatório anual World Trade Report 2026, trazendo um alerta severo sobre os rumos da economia internacional. De acordo com o documento, a falta de reformas estruturais nas regras da entidade impedirá que ela contenha a fragmentação comercial em curso, resultando em uma perda estimada de cerca de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) global e em um tombo de quase 20% nas exportações até o ano de 2050.
Nos últimos anos, os dirigentes da organização têm defendido intensamente a modernização do arcabouço regulatório, que já tem três décadas, com a finalidade de evitar a obsolescência da instituição perante o avanço contínuo do protecionismo e a expansão do comércio digital. Segundo os dados levantados, a globalização enfrenta atualmente a sua mais grave onda de desafios desde o término da Segunda Guerra Mundial, impulsionada pela escalada de tarifas e pela proliferação de subsídios estatais.
O relatório aponta que a adesão aos princípios fundamentais da organização tem diminuído. Há quatro anos, aproximadamente 80% do comércio mundial seguia o princípio da nação mais favorecida, mecanismo que estende vantagens comerciais concedidas a um parceiro para os demais integrantes. Atualmente, esse patamar sofreu uma retração e caiu para 72%, refletindo o retorno de barreiras alfandegárias descoordenadas e exigências regulatórias multiplicadas pelos governos.
Caso o cenário de inércia persista, os impactos negativos projetados para o mundo alcançarão 5,1% no PIB e 18,6% nas exportações. O documento ressalta, no entanto, que o golpe econômico será desproporcionalmente mais severo para os países mais pobres, cujos efeitos negativos sobre a atividade econômica poderão ser três vezes maiores do que a média global.
Em uma simulação de cenário extremo onde a OMC deixasse de existir e o comércio passasse a depender exclusivamente de acordos bilaterais e regionais, a retração do PIB global chegaria a 6,9%, enquanto as exportações despencariam 26,9% até 2050. Por outro lado, o relatório demonstra que um ambiente de cooperação multilateral fortalecida geraria um impacto positivo de 2,9% no PIB e um crescimento de 17,9% nas exportações mundiais no mesmo horizonte temporal.
O economista-chefe da OMC, Robert Staiger, destacou que a diferença entre os cenários de cooperação reforçada e de erosão do sistema pode alcançar até 10 pontos percentuais do PIB real global. Diante das dificuldades de obter consensos unânimes entre os 166 membros para grandes tratados, a instituição avalia alternativas como a ampliação de negociações plurilaterais e a restauração de um sistema de solução de disputas com uma instância recursiva eficaz.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
