A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tem utilizado uma metodologia inovadora para detectar a presença de bromadiolona, substância amplamente utilizada como raticida. O método inovador emprega um simples grafite de lapiseira de 0,7 milímetro para atuar como eletrodo sensor, com um custo estimado em apenas R$ 0,25 por peça.
De acordo com o perito criminal Evandro Rodrigo Pedon, chefe da Divisão de Química e Toxicologia Forense do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF), o balanço da ferramenta já contabiliza 36 análises e a respectiva emissão de laudos periciais. Desse total, 8 exames foram direcionados a amostras de alimentos, como achocolatado em pó, leite em pó, suco de uva e farofa, enquanto 28 análises envolveram o conteúdo gástrico de animais com suspeita de envenenamento.
O desenvolvimento do sensor integra uma linha de pesquisa focada na combinação de materiais acessíveis, eletroquímica e tecnologia de impressão 3D. O professor Bruno Gabriel Lucca, do Instituto de Química da UFMS, explica que o grafite de lapiseira é o componente responsável por registrar a resposta eletroquímica da substância nas amostras, enquanto a impressão 3D é aplicada na fabricação de uma tampa personalizada para acomodar e posicionar adequadamente os sensores.
Segundo o pesquisador, a tecnologia de impressão 3D está presente em cerca de 90% dos dispositivos do grupo, viabilizando a personalização de geometrias e a fabricação rápida no próprio laboratório. Enquanto cada sensor custa aproximadamente R$ 0,25, o custo por análise fica em torno de R$ 0,80, oferecendo uma resposta analítica em questão de segundos após a aplicação da amostra devidamente preparada.
Apesar da alta velocidade, os especialistas ressaltam que o novo método atua primordialmente como uma triagem inicial, não substituindo exames confirmatórios complexos como a cromatografia em casos que exigem validação inequívoca. A grande vantagem reside na agilidade e na redução de custos, filtrando os casos antes de etapas mais demoradas. Atualmente, os exames são concentrados no IALF, em Campo Grande, devido às etapas obrigatórias de extração e preparação das amostras.
A parceria técnico-científica formalizada em 2021 entre a Polícia Científica e a UFMS também gerou uma segunda metodologia aplicada a investigações forenses, voltada para a detecção do fungicida benzovindiflupir em casos de falsificação ou adulteração de produtos. Como parte do fortalecimento dessa cooperação, a Polícia Científica investiu cerca de R$ 100 mil na aquisição de dois equipamentos eletroquímicos próprios do tipo potenciostato/galvanostato.
Fonte: www.campograndenews.com.br
