O Brasil permaneceu estagnado no ranking global de igualdade de gênero elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, mantendo-se na 72ª colocação entre 145 economias avaliadas em todo o mundo. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (16), aponta que o país registrou um recuo de 0,4 ponto percentual na comparação com o ranking do ano passado, alcançando uma pontuação geral de 71,5%.
O índice em questão varia de 0 a 100% e tem como objetivo mensurar a distância que cada nação ainda precisa percorrer para atingir a paridade plena entre homens e mulheres. Apesar da estabilidade na posição geral, o Brasil se destacou historicamente como um dos países que apresentaram maior progresso no recorte específico de empoderamento político ao longo dos últimos vinte anos.
Desde 2006, o país avançou 15,8 pontos percentuais no quesito político, representando a maior evolução entre os quatro pilares fundamentais do estudo, que também avalia a realização educacional, a saúde e sobrevivência, além da participação e oportunidade econômica. A participação feminina em ministérios triplicou no período, saltando de 12,9% para 40,9%, enquanto a presença em casas legislativas dobrou.
No entanto, apesar do acúmulo positivo de longo prazo, a mesma métrica de empoderamento político sofreu uma retração de 2,1 pontos na comparação direta com o relatório anterior. Em outras áreas avaliadas, como a realização educacional, o Brasil preservou a paridade completa entre os gêneros pelo segundo ano consecutivo, impulsionado pela universalização da matrícula no ensino básico.
No pilar de participação econômica, que engloba emprego, renda e cargos de liderança, o país marcou 66,6% de paridade, mantendo patamar estável em relação ao ano passado, mas apresentando crescimento de 6,2 pontos em relação a duas décadas atrás. O avanço econômico foi puxado pela renda estimada das mulheres e pela maior presença feminina entre legisladores, altos funcionários e gestores de empresas públicas e privadas.
Globalmente, o relatório comemorativo de 20 anos aponta que a paridade plena de gênero está longe de ser alcançada, com uma projeção de 120 anos para o fechamento total do hiato caso o ritmo atual persista. A Islândia continua liderando o ranking geral mundial pela 17ª vez consecutiva, sendo o único país a superar a marca de 90% de paridade, enquanto o Brasil e a região da América Latina buscam acelerar suas trajetórias de desenvolvimento e inclusão institucional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
