Moradores e comerciantes da cidade histórica de Paraty, situada na costa sul do estado do Rio de Janeiro, têm relatado episódios recorrentes de extorsão praticados por indivíduos que se identificam como integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). De acordo com os relatos recolhidos, donos de estabelecimentos comerciais localizados tanto no centro do município quanto em vilas caiçaras mais afastadas vêm sofrendo ameaças e represálias severas caso se recusem a efetuar os pagamentos exigidos pelos criminosos.
As cobranças ilegais variam tipicamente entre R$ 500 e R$ 1.000 mensais por estabelecimento, gerando forte clima de insegurança entre a população local. Há um temor generalizado de que esses valores sejam reajustados para cima com a proximidade da temporada de verão, período em que a região recebe um fluxo expressivo de turistas. Além do comércio central, a ação criminosa tem alcançado barqueiros que operam no cais de Paraty e conduzem visitantes às praias e enseadas da região.
A escalada da violência também atinge áreas tradicionais de difícil acesso, como a Vila Trindade, situada no sul fluminense e inserida nos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaina, sob gestão do ICMBio. Donos de pousadas, lanchonetes e restaurantes da localidade passaram a receber mensagens intimidadoras em telefones celulares. Em um dos casos recentes relatados pelos moradores, um comerciante que recusou o pagamento teve a estrutura de seu estabelecimento criminosamente incendiada cerca de uma semana após a negativa.
Os registros oficiais corroboram a expansão da criminalidade na região turística. Dados do Disque Denúncia apontam que, entre janeiro e agosto, foram contabilizadas denúncias de extorsão em bairros e localidades como Caboré, Chácara, Pontal, São Gonçalo e Trindade. As queixas referentes ao tráfico de drogas no município apresentaram expressivo crescimento comparativo entre os anos anteriores, saltando de dezenas de registros para patamares ainda mais elevados de alerta comunitário.
Diante da gravidade da situação, as forças de segurança estadual têm intensificado as atuações na área. A Polícia Civil informou que investiga de forma permanente a atuação de grupos criminosos no município, enquanto a Polícia Militar tem realizado incursões rotineiras em bairros sensíveis. Recentemente, operações resultaram em prisões e apreensões após confrontos e checagens de denúncias repassadas pela comunidade local, que cobra respostas enérgicas do poder público.
Por sua vez, a Prefeitura de Paraty declarou que mantém comunicação com o comando da Polícia Militar e que acompanha de perto a situação para assegurar a preservação da ordem pública. As comunidades caiçaras, conhecidas por seu histórico de mobilização social em defesa do território e dos direitos tradicionais, passaram a inserir a segurança pública como pauta central de suas reivindicações e atos públicos recentes na região.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
