Um levantamento realizado pela Ativaweb DataLab sobre a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na última terça-feira (15) aponta que aproximadamente nove em cada dez manifestações analisadas nas redes sociais sobre a atuação dos ministros tiveram um tom crítico, atingindo 90,8% dos registros classificados.
O grande destaque positivo em meio ao monitoramento do ambiente digital foi a ministra Cármen Lúcia. Ela foi descrita por expressiva parcela dos usuários das redes como uma “voz sensata” em meio à crise enfrentada pela corte. Além dela, o presidente do tribunal, Edson Fachin, também recebeu elogios por sua postura durante os trabalhos.
Em contrapartida, os outros oito ministros da Suprema Corte — Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin — concentraram a grande maioria das críticas e questionamentos públicos. O próprio funcionamento institucional do tribunal também foi alvo de forte reprovação popular.
De acordo com os dados coletados, o volume gerado foi expressivo: em um período de 24 horas, a sessão que deveria decidir sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes gerou mais de 18,2 milhões de registros nas diferentes plataformas sociais, incluindo Facebook, Instagram, X e TikTok.
Durante a sessão, Cármen Lúcia foi a última a votar e protagonizou um momento de forte repercussão ao pedir desculpas ao povo brasileiro pelos acontecimentos recentes no STF. Na ocasião, a magistrada afirmou publicamente que se encontrava em estado de “profunda consternação” e “tristeza” com a situação.
A cientistas de dados e especialistas apontam que o julgamento acabou gerando um desgaste severo para a imagem do STF como instituição perante a opinião pública. A presença do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na sessão também foi alvo de menções críticas por parte dos internautas que acompanharam os desdobramentos.
A sessão inédita e marcada por fortes turbulências acabou sendo suspensa após um pedido formal de vista do ministro Flávio Dino, ocorrendo em meio a uma série de confrontos verbais e ofensas trocadas entre os membros da corte durante os debates.
Fonte: redir.folha.com.br
