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Filmes no Festival de Brasília transitam entre a memória e a distopia no Brasil

Longas exibidos no Festival de Brasília abordam a política nacional por caminhos distintos, explorando desde um cenário distópico com vigilância estatal até o documentário que revisita eleitores após anos.

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Filmes no Festival de Brasília transitam entre a memória e a distopia no Brasil

O Festival de Brasília foi palco para a exibição de produções que abordam a política brasileira sob perspectivas bastante distintas. Enquanto um dos filmes imagina um cenário distópico decorrente de uma ruptura institucional, outro aposta no resgate documental para observar as transformações na vida de eleitores ao longo dos anos.

Em “Todo o Sentimento”, dirigido pela dupla Ary Rosa e Glenda Nicácio, o enredo projeta um Brasil governado por um regime autoritário onde a vigilância sobre os cidadãos tornou-se rotina. A narrativa acompanha o cineasta Henrique, vivido por Aldri Anunciação, que vive isolado no Recôncavo Baiano até a chegada de Gustavo, interpretado por Lucas Leto.

A distopia construída pelos diretores preserva elementos reconhecíveis da realidade brasileira, mantendo traços arquitetônicos e estruturas sociais antigas. O personagem principal já havia sido apresentado anteriormente no longa “Ilha”, lançado em 2018, permitindo aos criadores avaliar como o tempo e o novo contexto político influenciaram sua trajetória.

De acordo com os realizadores, o projeto permaneceu engavetado por anos e chegou a ser considerado ultrapassado em determinados momentos de mudança conjuntural. No entanto, com as reviravoltas políticas recentes, os diretores avaliaram que o tema recuperou total pertinência e atualidade.

Em contrapartida, o documentário “Tudo É Tempo”, dirigido por Marcos Guttmann, foca na realidade dos fatos ao acompanhar quatro personagens — Carlos Ibrahim, Cristiane Rosa, Fernando Pereira e Heber Cunha — cujas trajetórias passaram a ser registradas desde a eleição presidencial de 2002.

O projeto enfrentou uma longa interrupção devido a dificuldades de captação de recursos, mas o hiato acabou conferindo uma qualidade singular à obra. Ao reencontrar os mesmos personagens anos depois, o diretor registrou mudanças profundas em suas opiniões e vivências, consolidando o tempo e a memória como eixos centrais do documentário.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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