O Banco Central divulgou a nova taxa básica de juros da economia, a Selic, que serve como referência principal para os juros cobrados de consumidores e empresas, influenciando diretamente o custo do crédito, o consumo e as decisões de investimento no país. Definida pelo BC, a taxa sofre forte influência das atitudes e diretrizes adotadas pelo presidente da República, razão pela qual foram reunidas as principais propostas apresentadas pelos candidatos à Presidência da República sobre o tema econômico.
Atualmente fixada em 14% ao ano, a Selic atua como um dos principais instrumentos de controle da inflação. Com juros elevados, o crédito encarece e o consumo desacelera, ajudando a conter a alta de preços, embora o encarecimento dos empréstimos dificulte o pagamento de dívidas e aumente o risco de inadimplência. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o endividamento das famílias atingiu patamares recordes, com oito em cada dez lares brasileiros possuindo algum tipo de débito.
No campo político, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconhece em seu plano que a Selic alta concentra renda e desorganiza a economia. Para revertê-la, propõe controle da inflação, responsabilidade fiscal com o arcabouço fiscal, continuidade do programa Desenrola Brasil e a regulação de apostas online. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro (PL) defende um corte drástico de gastos públicos por meio de governança tecnológica, revisão tributária e a proibição de uso de verbas sociais em bets.
Outras propostas variam amplamente entre os candidatos. Augusto Cury (Avante) sugere a criação de um ‘Banco do Empreendedor’ com juros fixos e revisão de matrizes de risco. Ronaldo Caiado (PSD) aposta na estabilização fiscal plurianual e em metas de corte de gastos via emenda constitucional. Já Renan Santos (Missão) propõe uma ‘PEC do Equilíbrio Fiscal’ para conter a trajetória da dívida pública, desvinculando pisos de saúde e educação, enquanto Romeu Zema (Novo) defende um choque fiscal, redução do IOF e expansão do Open Finance para facilitar a portabilidade de dívidas.
Candidatos de partidos de oposição e de espectros à esquerda defendem medidas mais drásticas, como o fim da autonomia do Banco Central e a suspensão do pagamento da dívida pública. Samara Martins (UP) e Edmilson Costa (PCB) propõem a estatização do sistema financeiro e a realização de auditorias nas contas públicas. No mesmo sentido, Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) defendem a anulação das dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro e a estatização de empresas estratégicas sob controle operário.
Por fim, propostas focadas em setores específicos também integram os planos de governo analisados. Wilson Grassi (Democratas) prioriza o crédito facilitado para famílias que pagam aluguel, enquanto Leonardo Avalanche (PRTB) propõe o ‘Crédito Raiz’ para o agronegócio e linhas facilitadas para motoristas de aplicativo comprarem veículos próprios com isenção de impostos, além da substituição de tributos por um imposto único de 3,5%.
Fonte: g1.globo.com
