A polarização política transformou disputas eleitorais apertadas em uma espécie de novo normal no Brasil e em outros países, na avaliação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL). Em entrevista exclusiva ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, nesta quinta-feira (17), em Campo Grande, ele afirmou que a divisão do eleitorado reduz a margem para mudanças de voto e faz com que as campanhas concentrem esforços em quem ainda não se decidiu.
Boulos veio à capital de Mato Grosso do Sul para cumprir agendas do Governo Federal e também apoiar campanhas de aliados. Ao comentar a disputa pela Presidência da República entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e adversários como Flávio Bolsonaro (PL), o ministro destacou que o cenário continua altamente competitivo. Para ele, uma parcela significativa dos eleitores de ambos os campos políticos já está cristalizada e dificilmente mudará de posição até o dia da votação.
É justamente fora desses grupos consolidados que se encontra o eleitor capaz de definir o pleito, segundo a análise do governo. Boulos explicou que a estratégia da campanha presidencial busca estimular o diálogo com cidadãos indecisos ou que não se identificam plenamente com nenhuma das principais correntes políticas, desafiando-os a comparar os projetos postos na mesa, independentemente de preferências ideológicas prévias.
Além dos compromissos de cunho eleitoral, a viagem do ministro incluiu pautas institucionais relevantes. Em Campo Grande, Boulos reuniu-se com motoristas profissionais e entregadores de aplicativos para debater a implementação de pontos de apoio da iniciativa Parada Certa, além de discutir programas federais de financiamento para a aquisição de veículos, como o Move Brasil, voltados a facilitar a rotina de quem trabalha nas ruas.
O ministro também vistoriou projetos habitacionais e áreas urbanas vulneráveis, como o loteamento Novo Samambaia e a ocupação na Cidade dos Anjos, reforçando o foco do governo federal em melhorias de infraestrutura, saneamento e realocação de famílias. Boulos pontuou que a interação com a sociedade civil durante essas visitas permite dialogar inclusive com pessoas que não integram tradicionalmente a base de apoio do governo.
Por fim, ao abordar o cenário político estadual, o ministro avaliou a candidatura de Fábio Trad (PT) ao Governo de Mato Grosso do Sul como sinal de que há espaço para a construção de alternativas fora do pensamento político único na região. Para Boulos, o período de campanha serve justamente para que candidaturas consigam furar bolhas e dialogar com o eleitorado que rejeita os extremos.
Fonte: www.campograndenews.com.br
