Um levantamento conduzido pela organização britânica Eko revelou que a Meta aprovou publicidades de teor político direcionadas ao eleitorado brasileiro que foram custeadas por uma conta sediada nos Estados Unidos. O material continha informações falsas sobre o processo eleitoral e utilizava recursos de inteligência artificial sem a devida rotulagem exigida pelas normas vigentes.
Para a realização do estudo, os pesquisadores submeteram 15 anúncios que infringiam diretamente as regulamentações estipuladas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse total, impressionantes 13 peças, o que equivale a 87%, obtiveram aprovação através do sistema automatizado de moderação do Facebook e do Instagram.
O conteúdo das publicidades incluía diversos cenários falsos e proibidos pela legislação nacional, como uma imagem sintética do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmando falsamente que o calendário das eleições havia sofrido alterações. Outra peça exibia o presidente americano Donald Trump ao lado do senador Flávio Bolsonaro com o apelo para votação, além de mensagens alegando que seções eleitorais estariam fechadas e o pleito adiado.
As normativas do TSE proíbem expressamente a contratação de propaganda eleitoral na internet originada no exterior ou por intermédio de contas de terceiros, permitindo apenas campanhas contratadas diretamente por candidatos ou partidos políticos autorizados. Além disso, a legislação exige a devida prestação de contas dos gastos publicitários e a clara identificação de conteúdos gerados por ferramentas de inteligência artificial.
Vicky Wyatt, diretora de campanhas da Eko, criticou duramente a postura da empresa de tecnologia, destacando a gravidade de permitir anúncios que incitam rupturas institucionais vindos do exterior. Os pesquisadores asseguraram que todas as peças foram removidas imediatamente após a verificação do status de aprovação, impedindo que fossem exibidas a usuários reais nas plataformas.
Em resposta aos questionamentos da imprensa, a Meta declarou que mantém firme compromisso com a proteção do processo eleitoral e argumentou que o relatório contempla anúncios que nunca chegaram a ser visualizados publicamente. A companhia resgatou que investe em múltiplas camadas de revisão e protocolos rigorosos de transparência para lidar com questões de relevância política.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
