O presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou o ranking de alvos de materiais gerados ou modificados por inteligência artificial durante o período de pré-campanha eleitoral, conforme aponta um levantamento divulgado pelo Observatório IA nas Eleições. Ao todo, foram catalogados 112 episódios em que a imagem ou a voz do chefe do Executivo foi reproduzida artificialmente nas redes sociais.
Como principal adversário na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ocupou a segunda posição entre os alvos de conteúdos sintéticos, registrando 57 ocorrências. Na sequência da lista aparecem figuras públicas como o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o deputado federal Nikolas Ferreira.
A pesquisa mapeou um total de 413 utilizações políticas dessa tecnologia nas plataformas digitais entre os dias 1º de janeiro e 15 de agosto, resultando em uma média diária de 1,8 caso. O observatório responsável pela apuração é uma parceria entre a Data Privacy, voltada à proteção de dados, e o Aláfia Lab, laboratório focado em pesquisas sobre internet e política.
Segundo o relatório detalhado pelo grupo, 81% de todo o material com inteligência artificial identificado no período consistiam em deepfakes, caracterizados pela alteração digital de falas ou feições de autoridades públicas. Além disso, 63% dessas publicações deixaram de sinalizar claramente aos usuários que se tratavam de conteúdos sintéticos.
Tais práticas vão na contramão das diretrizes impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito. A Justiça Eleitoral determinou em março que candidaturas e responsáveis devem informar de maneira explícita e acessível quando mídias forem fabricadas ou alteradas, vedando o uso de deepfakes para prejudicar ou favorecer qualquer candidatura.
A maior parte dos conteúdos foi veiculada por perfis anônimos, mas cerca de 35% partiram de agentes políticos, somando 92 publicações de políticos e 53 de partidos. Entre as legendas, o Partido Liberal liderou com 28 registros, seguido pelo PT com quatro e pelo PSDB com dois, enquanto o Instagram despontou como a principal plataforma de circulação dessas mídias.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
