A dinâmica familiar frequentemente envolve a acusação mútua entre irmãos de que os pais possuem um preferido. Na infância, essa alegação servia como argumento final em disputas cotidianas, obtendo sempre a mesma negativa dos responsáveis, que sustentavam a impossibilidade de amar um filho mais do que o outro.
Esse roteiro tende a se repetir nas gerações seguintes. Mães e pais continuam a ouvir que há distinção no tratamento dado aos herdeiros, com cada um dos filhos enxergando desvantagens na própria posição dentro da hierarquia doméstica, seja por ser o mais velho, o caçula ou o do meio.
Contudo, a ciência indica que a realidade pode ser diferente do discurso tradicional. Um estudo publicado pela American Psychological Association aponta que determinados fatores, como gênero, temperamento e ordem de nascimento, podem influenciar um tratamento mais favorável a determinado filho.
Diante das evidências científicas, reconhece-se que existem preferências circunstanciais para diferentes atividades, como conversar, passear, praticar esportes ou debater sobre determinados assuntos. O humor do dia e a afinidade momentânea também desempenham papéis relevantes nessa sintonia com cada descendente.
A intensidade do afeto maternal ou paternal não se resume a uma métrica exata e varia conforme as atitudes e necessidades individuais de cada descendente. Tratar os filhos de maneira estritamente igualitária pode significar deixar de lado a individualidade e a verdade nas relações familiares.
Por fim, a biologia ilustra a conexão profunda entre mães e filhos por meio do microquimerismo, fenômeno em que células persistem mutuamente nos corpos envolvidos. Mais do que tentar negar preferências, a maternidade revela-se um laço complexo que transcende qualquer tentativa de medição científica rigorosa.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
