O preço do biodiesel voltado para o transporte marítimo registrou uma queda histórica nesta semana, situando-se em patamares inferiores aos da maioria dos combustíveis marítimos convencionais. O movimento ocorre em um cenário no qual o conflito no Oriente Médio impulsiona fortemente os custos globais do diesel e o setor enfrenta pressões regulatórias rigorosas.
No porto de Roterdã, considerado o maior polo de biocombustíveis do mundo, a cotação chegou a US$ 985 por tonelada, configurando o menor valor já documentado e uma retração expressiva frente aos US$ 1.388 observados em julho. A diminuição decorreu de ajustes de preços promovidos por produtores locais para alavancar as vendas e assegurar o cumprimento de metas de emissões na União Europeia.
Paralelamente, o gasóleo marítimo sofreu uma disparada expressiva, saltando de US$ 714,50 por tonelada, valor registrado antes do início do conflito com o Irã, para US$ 1.528,50. A alta reflete interrupções severas na cadeia de abastecimento de derivados de petróleo na região.
Quando se computam os custos relacionados ao cumprimento das normativas de emissões de carbono do bloco europeu e a precificação das licenças do setor, o uso do biodiesel passa a exibir vantagem econômica sobre praticamente todas as alternativas fósseis tradicionais. Essa inversão temporária de cenário tende a acelerar a transição energética na navegação global, setor responsável por cerca de 3% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.
Especialistas apontam que a facilidade de adoção é um dos principais atrativos dos biocombustíveis, uma vez que eles podem ser empregados na frota existente com poucas ou nenhuma modificação estrutural. Embora apresentem uma densidade energética ligeiramente menor — exigindo que as embarcações queimem de 7% a 10% mais volume por viagem —, a economia líquida gerada pelos programas europeus favorece a escolha.
Apesar do avanço expressivo no segundo trimestre de 2026, com o dobro do volume comercializado no trimestre anterior em Roterdã, os biocombustíveis ainda respondem por uma fatia pequena do mercado global, estimada em cerca de 0,6%. A concorrência por matérias-primas com os setores rodoviário e aéreo e as restrições regulatórias impostas pela União Europeia continuam a impor limites à oferta e ao crescimento acelerado da modalidade.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
