O ministro Kassio Nunes Marques, integrante do Supremo Tribunal Federal, estuda a possibilidade de reconsiderar seu afastamento dos julgamentos associados ao relatório que incorporou mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Com essa avaliação, o magistrado pondera emitir seus votos nos processos pertinentes à investigação do Banco Master tão logo o pleito eleitoral seja concluído.
Em conversas reservadas com interlocutores, o magistrado apontou que optou por se declarar impedido de integrar a sessão extraordinária realizada recentemente apenas devido ao receio de repercussões eleitorais decorrentes da análise, visto que ele comanda o Tribunal Superior Eleitoral. Desta forma, caso o assunto retorne à pauta de debates após o mês de outubro, sua manifestação passará a ser considerada.
O ministro tem reiterado a pessoas próximas que o afastamento se restringia àquele momento específico. Outras discussões jurídicas seriam ponderadas de maneira independente. A decisão adotada na semana passada acabou por enfraquecer a posição de André Mendonça na controvérsia, visto que este tem atuado como aliado do relator das investigações e acompanhado suas decisões anteriores.
Logo no início dos trabalhos da sessão, Nunes Marques solicitou a palavra para comunicar seu posicionamento. Ele determinou que não votaria e pontuou que o mais adequado seria abster-se de participar de deliberações com potencial de influenciar os rumos da disputa eleitoral. Nos bastidores, ressaltou que a presidência da corte eleitoral o posiciona como árbitro do processo, conferindo-lhe maior cautela frente aos demais colegas.
A avaliação manifestada indica que correntes políticas rivais utilizam a crise instalada no Supremo para impulsionar campanhas, conferindo forte simbolismo ao cargo de presidente do TSE. O magistrado também integra a comissão encarregada de analisar propagandas eleitorais na corte, ao lado de André Mendonça e Estela Aranha.
A decisão de se abster do julgamento ocorreu após a divulgação de diálogos que mencionavam repasses financeiros direcionados a seu filho, o advogado Kevin Marques. Durante o plenário, o ministro negou enfaticamente qualquer relação comercial: ‘Meu filho nunca prestou serviço ao banco e nem foi remunerado pelo banco. Isso é fato, meu sigilo já foi quebrado’, declarou, acrescentando jamais ter mantido contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
