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Em área vigiada por jagunços e PMs na Amazônia, acampados esperam acessar terra na véspera da eleição

No norte de Mato Grosso, dezenas de famílias acampadas aguardam a desocupação de terras federais por fazendeiros, em meio a tensões políticas na véspera do segundo turno de 2026.

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Em área vigiada por jagunços e PMs na Amazônia, acampados esperam acessar terra na véspera da eleição

Num cenário marcado pela forte presença da soja, grilagem de terras e vigilância armada, dezenas de famílias aguardam nas margens de uma rodovia no norte de Mato Grosso o desfecho de uma longa disputa judicial. O Acampamento União Recanto Cinco Estrelas abriga pessoas que esperam acessar 2.000 hectares de terras da União, cuja desocupação por fazendeiros foi determinada pela Justiça Federal.

O prazo estabelecido judicialmente para que os ocupantes atuais deixem a área expira em outubro de 2026, coincidindo com as vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Os acampados manifestam apoio à candidatura de Lula e temem que uma eventual derrota do petista nas urnas possa ameaçar o andamento do futuro assentamento, o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Novo Mundo.

Por outro lado, a região da BR-163 e municípios vizinhos, como Novo Mundo, Sinop e Sorriso, concentram redutos de forte apoio a candidatos da direita e à família Bolsonaro, contando com o respaldo de produtores rurais, garimpeiros e empresários do agronegócio. Essa divisão política e ideológica profunda frequentemente se traduz em episódios de tensão e disputas violentas pela posse do solo amazônico.

As famílias acampadas relatam viver sob constante pressão, afirmando que a área é vigiada por homens armados e que sofrem com a atuação ostensiva da Polícia Militar. Em episódios passados, intervenções policiais resultaram na prisão de acampados e apoiadores, enquanto lideranças locais denunciam ameaças de agressão e de morte à medida que o pleito eleitoral se aproxima.

Enquanto aguardam a imissão de posse por parte do Incra e a efetiva saída dos fazendeiros da família Rodrigues da Cunha, os moradores do acampamento enfrentam condições precárias de sobrevivência. Sem energia elétrica ou água encanada na beira da estrada, eles também convivem com os impactos da pulverização de agrotóxicos das lavouras de soja vizinhas sobre os recursos naturais locais.

O Incra reforçou que a área em questão teve seu domínio público reconhecido pela Justiça e atua juridicamente para viabilizar a implantação do assentamento. Já o governo estadual sustenta que a atuação policial na região segue diretrizes de combate a invasões ilegais, visando garantir a segurança jurídica e a ordem pública para proprietários e trabalhadores rurais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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