Preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero, Henrique Vorcaro enviou uma carta direcionada aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (22). No documento, ele argumenta que não pode ser arrastado para o escândalo envolvendo o banco Master unicamente pelo fato de ser pai de Daniel Vorcaro, banqueiro que figura como principal investigado em fraudes financeiras bilionárias.
Estendendo-se por quatro páginas, a manifestação de Henrique Vorcaro classifica a sua detenção como uma “injustiça”, ressalta que mantinha separação em relação aos negócios do filho e relata que sua condição de saúde está extremamente debilitada no estabelecimento prisional onde se encontra.
Em um dos trechos destacados da carta, o pai do banqueiro apela diretamente aos magistrados: “Até entendo os holofotes sobre o caso Master, mas não queiram me arrastar para dentro disso só porque eu sou pai do Daniel. Tenho muitos negócios, todos honestos. Preciso da minha reputação e dignidade restauradas, por favor sejam corretos e justos. O ofício da Polícia Federal é fazer justiça, não injustiça. É descobrir a verdade, não criar histórias por hipóteses absurdas e sem comprovação”.
Henrique Vorcaro está sob custódia desde maio, após uma ação deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento das apurações do caso Master, com determinação de prisão expedida pelo ministro André Mendonça, relator do processo na Suprema Corte. Recentemente, a Segunda Turma do STF decidiu manter as prisões preventivas dele e de um primo de Daniel Vorcaro.
Conforme a investigação conduzida pela Polícia Federal, Henrique Vorcaro atuava como financiador e operador de uma estrutura criminosa composta por bicheiros, milicianos e hackers. Os federais apontam que ele utilizava essas ligações para coagir e intimidar adversários comerciais do filho, além de apontarem a cooptação de agentes de segurança, incluindo uma delegada e policiais federais, para obtenção de dados sigilosos das investigações.
Ao pleitear a revogação da prisão preventiva, o investigado negou veementemente qualquer participação criminosa, justificando que eventuais movimentações de dinheiro com outros investigados tratavam-se estritamente de adiantamentos referentes a negócios comerciais legítimos. A defesa e o próprio autor da carta classificam o relatório policial como fantasioso, rechaçando histórico de envolvimento com ameaças ou atos ilícitos ao longo de sua vida.
Fonte: g1.globo.com
