A banda britânica Chapterhouse desembarca pela primeira vez no Brasil para uma apresentação inédita na próxima terça-feira (29), no Cine Joia, localizado na praça Carlos Gomes, em São Paulo. O evento marca a estreia do quinteto no país, trazendo ao público brasileiro um dos nomes fundamentais do movimento shoegaze que marcou a cena alternativa na década de 1990.
O subgênero surgiu no Reino Unido na segunda metade dos anos 1980, reunindo grupos como My Bloody Valentine, Lush, Ride, Swervedriver e Slowdive. Essas formações notabilizaram-se por criar uma sonoridade de rock pesado revestida por guitarras etéreas e repletas de efeitos, gerando um clima onírico e lúdico nos arranjos. O guitarrista Stephen Patman, de 57 anos, celebrou a oportunidade de finalmente tocar em solo brasileiro após quase quatro décadas de trajetória do grupo.
O termo “shoegaze”, que significa literalmente “olhar para os sapatos”, nasceu da postura comum aos músicos daquela geração, que costumavam manter a cabeça abaixada durante as apresentações. Enquanto alguns atribuíam o gesto à timidez diante da plateia, outros apontavam a necessidade de monitorar a infinidade de pedais de efeitos utilizados nas guitarras. O Chapterhouse foi fundado em 1987 por Patman, Andrew Sherriff, Simon Rowe e Ashley Bates, contando atualmente com o guitarrista Robin Light e o baixista Michael Secker ao lado dos membros originais.
Com apenas dois álbuns de estúdio lançados na primeira fase da carreira — “Whirlpool”, de 1991, e “Blood Music”, de 1993 —, a banda permaneceu inativa desde 1994, com exceção de um breve retorno em 2008 para alguns concertos. Para a turnê atual, o grupo celebra os 35 anos de “Whirlpool”, executando o disco na íntegra, além de incluir lados B e faixas do segundo álbum em seu repertório ao vivo.
Segundo Patman, a identidade sonora da banda e de seus contemporâneos nasceu da experimentação contínua com os instrumentos e da influência de ícones do pós-punk, como John McGeoch e Will Sergeant, além de bandas barulhentas americanas e britânicas a exemplo de Sonic Youth, Dinosaur Jr. e The Jesus and Mary Chain. O músico relembra que a famosa estética de usar apenas roupas pretas acabou rendendo comparações inusitadas na época, embora o grupo odiasse ser rotulado como gótico.
O show em São Paulo, que contará com a participação da banda Terraplana, traz ingressos variando entre R$ 160 e R$ 320 e classificação etária de 16 anos. Para os integrantes do Chapterhouse, ver o interesse contínuo pelo shoegaze por parte de novas gerações, incluindo jovens fãs, permanece como uma grata surpresa e a consolidação de um legado que resistiu ao teste do tempo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
