O papa Leão 14 defendeu publicamente a necessidade de uma convivência pautada na dignidade e na paz durante um encontro com migrantes e exilados realizado na Casa Bakhita, em Paris. A agenda antecedeu uma grande celebração eucarística na famosa avenida Champs-Élysées, marcando o segundo dia da primeira viagem oficial do pontífice peruano-americano à França.
Em um momento político sensível na Europa, marcado pelo crescimento de correntes de extrema direita e discursos contrários à imigração, a escolha do centro de acolhimento católico serviu como forte mensagem simbólica. No local, o líder da Igreja Católica ouviu relatos de refugiados originários de nações como Afeganistão e Nigéria, reforçando a urgência de enxergar e proteger os estrangeiros invisibilizados pela sociedade contemporânea.
A instituição visitada homenageia Josefina Bakhita, sudanesa que enfrentou a escravidão antes de ingressar na vida religiosa e ser canonizada. Para os organizadores e líderes eclesiásticos locais, a presença papal traz um alento importante diante das discussões migratórias que prometem dominar o cenário político e as próximas eleições presidenciais francesas.
A viagem do pontífice a Paris tem atraído multidões desde sua chegada, mobilizando centenas de milhares de pessoas pelas ruas da capital e em eventos públicos com forte adesão de jovens. A missa principal na região da Praça da Concórdia e da Champs-Élysées reúne uma multidão estimada em centenas de milhares de fiéis, contando com a presença de diversas figuras políticas locais.
Além da pauta migratória, a visita apostólica tem abordado temas complexos da atualidade europeia e da relação entre o Estado e a religião. Em compromissos oficiais anteriores, o papa discutiu os limites do laicismo francês e teceu duras críticas a pautas legislativas recentes do país relacionadas ao direito à vida, à eutanásia e aos procedimentos médicos regulamentados pelo governo.
Após encerrar os compromissos de grande porte na capital francesa, a programação oficial prevê o deslocamento do líder católico em direção ao sul do país. O pontífice seguirá para o santuário de Lourdes, onde prosseguirá com reuniões pastorais, encontros com autoridades eclesiásticas locais e momentos de oração voltados aos fiéis e peregrinos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
