Após uma jornada interplanetária de oito anos, a missão conjunta BepiColombo, desenvolvida em parceria entre agências da Europa e do Japão, está prestes a entrar em órbita de Mercúrio. Com esse marco, o projeto se tornará o segundo a realizar tal feito na história da exploração espacial, sucedendo a sonda americana Messenger, que chegou ao planeta em 2011 e operou por lá até 2015.
O projeto espacial funciona como uma missão ‘três em um’, integrando três espaçonaves em um único conjunto: o Módulo de Transferência a Mercúrio (MTM), o Orbitador Planetário de Mercúrio (MPO) e o Orbitador Magnetosférico de Mercúrio (Mio). Enquanto o primeiro teve a função exclusiva de guiar todo o aparato rumo ao planeta mais próximo do Sol, os outros dois representam as frentes científicas da Agência Espacial Europeia (ESA) e da agência japonesa Jaxa, respectivamente.
Lançado originalmente em 2018 por meio de um foguete europeu Ariane 5, o grupo enfrentou percalços consideráveis ao longo do trajeto. Em maio de 2024, a ESA identificou uma falha parcial nos propulsores que comprometeu uma manobra crucial. Embora tenha havido o temor de perda total da sonda, os técnicos conseguiram recalcular as rotas, resultando em um atraso de 11 meses no cronograma original de chegada.
As operações recentes marcaram o encerramento das funções do módulo MTM, que foi devidamente descartado após se separar do conjunto principal. Pouco depois, o sistema de propulsão do MPO executou um ajuste final de trajetória para assegurar a inserção orbital definitiva em Mercúrio, aguardada para novembro de 2026.
Conforme o planejamento das agências envolvidas, as sondas acopladas adotarão inicialmente uma órbita alongada e, com o auxílio de propulsão elétrica, diminuirão a translação gradualmente. O satélite japonês Mio deverá se separar do MPO em dezembro para iniciar suas atividades científicas independentes, enquanto o orbitador europeu continuará descendo até alcançar sua órbita final em março de 2027.
Viajar para as regiões internas do Sistema Solar impõe desafios aerodinâmicos e gravitacionais complexos, exigindo manobras precisas de estilingue gravitacional utilizando a energia de outros planetas. Batizada em homenagem ao matemático italiano Giuseppe ‘Bepi’ Colombo, o projeto nipo-europeu custou cerca de US$ 2 bilhões e pretende investigar detalhadamente a estrutura interna, o campo magnético e a exosfera de Mercúrio.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
