O papa Leão 14 instou a Igreja Católica a reconhecer corajosamente suas falhas e a buscar a cura para as feridas profundas provocadas em seu próprio interior. O apelo foi feito durante uma visita de quatro dias à França, horas antes de sua agenda prever um encontro reservado com vítimas de violência sexual infantil cometida por membros do clero.
Dirigindo-se a uma multidão de aproximadamente 150 mil pessoas reunidas próximo ao santuário de Lourdes, o pontífice enfatizou a necessidade de a instituição assumir o passado com humildade. Embora não tenha citado explicitamente os escândalos que abalaram o país, ele reforçou que a Igreja precisa se colocar sob o olhar purificador para superar os erros dolorosos ocorridos internamente.
Em uma reunião privada com os bispos franceses, Leão 14 abordou de forma direta o flagelo dos abusos contra menores. Antes de ingressar na assembleia, o papa parou diante da escultura ‘A Criança que Chora’, monumento instalado há cinco anos para garantir que as agressões sexuais não sejam esquecidas pela comunidade católica.
O líder da Igreja Católica agradeceu ao episcopado francês pelas medidas tomadas para enfrentar as denúncias, mas exigiu a manutenção da máxima vigilância e o fortalecimento dos mecanismos de proteção. A visita papal ocorre à sombra de um relatório divulgado em 2021, que estimou que cerca de 330 mil crianças foram vítimas de abusos cometidos por religiosos e leigos ao longo de sete décadas na França.
Representantes de associações de vítimas manifestaram ceticismo quanto à rapidez das transformações institucionais. Michèle Le Reun-Gaigné, copresidente de um grupo de apoio no oeste francês, declarou à agência Reuters que as mudanças ocorrem de forma muito lenta e que as respostas definitivas não surgirão de maneira imediata.
Além do tema dos abusos, o itinerário de Leão 14 em Lourdes incluiu a passagem por locais marcados por controvérsias artísticas, como os mosaicos do padre Marko Rupnik — acusado de abuso sexual por mais de 20 mulheres —, que foram cobertos com lonas para a ocasião. O pontífice também reiterou a oposição da Igreja à morte assistida e defendeu a dignidade da vida humana diante da doença.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
