O recente desabamento de um prédio no distrito da Penha, na zona leste de São Paulo, que resultou em seis mortes, colocou em evidência um problema recorrente na capital paulista: a proliferação de construções irregulares. Em expansão por diversas regiões, esses empreendimentos têm alcançado alturas maiores e se instalado próximos a estações de metrô, sendo comercializados em um mercado imobiliário quase formal.
Erguidos por construtoras locais que ignoram normas municipais e construtivas, os edifícios costumam ocupar integralmente terrenos estreitos, formando grandes blocos de alvenaria sem áreas livres nas laterais ou na fachada. Segundo especialistas, esses imóveis simulam formalidade, inaugurando uma fase de verticalização da ilegalidade em bairros das zonas leste, norte e até na região central.
A Prefeitura de São Paulo, administrada pela gestão de Ricardo Nunes, informou que a Secretaria Municipal das Subprefeituras realizou 7.236 autuações em 2026, englobando intimações, interdições e embargos, além de aplicar R$ 172,3 milhões em multas. Entre as infrações mais recorrentes estão a ausência de documentação no local, obras sem alvará ou certificado de conclusão, e desvios em relação ao projeto aprovado.
Especialistas apontam que a alvenaria estrutural é o método mais utilizado nessas obras por ser mais barato e rápido, embora traga riscos severos à segurança quando executado sem o devido rigor técnico. O impacto dessas construções também afeta a vizinhança, gerando temor de instabilidade estrutural, danos a imóveis lindeiros e interdições preventivas de comércios e escolas na região.
Casos anteriores, como o colapso de uma obra no Cachoeirinha em 2025, ilustram o drama vivido por moradores que perdem bens e enfrentam traumas psicológicos profundos. Após o caso da Penha, investigações policiais foram aprofundadas, resultando em denúncias à Justiça contra responsáveis por construtoras e engenheiros envolvidos nas irregularidades.
Urbanistas e geógrafos ressaltam que o fenômeno está intimamente ligado ao déficit habitacional e ao sonho da casa própria, oferecendo alternativas de moradia mais baratas, porém ilegais. Enquanto a fiscalização e o combate à corrupção são apontados como caminhos necessários, especialistas alertam que o problema persistirá enquanto persistirem as falhas estruturais no acesso à habitação regular.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
